29.8.06

Clima X Fogo X Trabalhador

É impressionante o efeito dominó que ocorre em certas situações. Tenha criticado muito a fragilidade e a hipocrisia do agronegócio da cana no Estado de São Paulo. Com aclamações de combustível do futuro e ecologicamente correto para alguns, este tipo de economia no meu ver beneficia somente elites latifundiárias, marginaliza ainda mais os trabalhadores rurais e danifica o meio ambiente com suas gigantes plantações.
Nesta época seca tenho notado que não somente os bóias frias são tratados como escravos, nós todos viramos escravos também, porém deste sitema. Necessitamos da chuva para melhorar a poluição provocada pela queima da cana, mas se proibem a queima o preço do Álcool e da gasolina sobe, se proibem novamente, o cortador de cana não recebe o salário, e se recebe, ganha menos. Temos que lembrar que o bóia-fria recebe R$ 2,50 por tonelada de cana cortada, isto sim é a inovação tecnológica do agrishow. Estamos escravos a este sistema e nem doenças respiratórias e nem proibiçoes fajutas de queimadas podem reverter isto em curto prazo.
Segue abaixo um trecho retirado do Jornal A cidade de Ribeirão Preto, é intrigante:
A rotina do trabalhador envolvido com o processo de plantio, queima e transporte da cana-de-açúcar é árdua. Todos acordam cedo e ficam pelo menos até às 16 horas sob sol forte. Para evitar que o sol queime muito a pele é preciso usar calça e camisa de mangas compridas e chapéu com um lenço por baixo para evitar que orelhas e pescoço sejam atingidos pelos raios solares. Esta é a vestimenta de Derli de Jesus, 76 anos, há mais de 60 anos na lavoura. Ele já trabalhou no corte de cana e hoje limpa as ruas do canavial. “Está difícil trabalhar por causa do calor. Tomo quase 10 litros de água por dia. Mas a gente se acostuma com o serviço braçal. É mais duro para quem corta a cana crua. Trabalham muito e o serviço não rende. Com isto eles ganham menos”, afirma. O trabalhador Nilson Lima contabiliza na carteira profissional 37 safras. Diz que já fez de tudo no canavial e que nunca viu um clima tão ruim. “Para agüentar temos que comer bem e tomar cuidado para não deixar a comida azedar com este calor. O segredo é fazer antes de vir para o trabalho e colocar quentinha na marmita. Deu 11 horas tem que comer. Se passar deste horário estraga tudo”, comenta. O calor atrapalha a vida de todos os trabalhadores do campo. João Xavier da Silva classifica o clima atual como “terrível”. “A chuva tem que vir logo”, afirma.

20.8.06

A divulgação científica dos impactos ambientais: problemática ou catástrofe?

Para poder estrear no Roda de ciência tive que adequar o tema proposto (Ciência X Divulgação científica) na minha área de interesse. Achei legal, pois sempre quis falar sobre este assunto e nunca tive uma oportunidade, ainda mais por ser complexo e contraditório: o questionamento dos verdadeiros impactos ambientais.
A mídia me chama atenção sobre as notícias das catástrofes ambientais na Terra, tenho a impressão de um “telefone sem fio” jornalístico a respeito deste assunto. Principalmente as notícias que vêm parar aqui no Brasil, de fontes como Reuters, NYT e outros. Os jornalistas de ciência em geral têm tratado de forma catastrófica os temas ambientais, focalizando sempre os temas aquecimento global, camada de ozônio, furacões entre outros.
Talvez a quase ausência de riscos ambientais locais em alguns países desenvolvidos concentre esforços dos pesquisadores a estimar impactos globais catastróficos, o que no meu ver deve ter enfeitiçado a mídia internacional, por tratar de um assunto amplo e subjetivo.
A mídia insiste em focalizar os grandes impactos mundiais como o grande inimigo. Mesmo tendo no quintal de nossas casas, aqui no Brasil, riscos e passivos ambientais típicos de países de terceiro mundo como esgosto não tratado, erosões, indústrias super-poluidoras, populações viventes em áreas de riscos entre outros. O pior é a mente tecnocêntrica da mídia que acredita que o cientista sozinho um dia irá salvar o mundo, e não a união da sociedade civil organizada com a ajuda dos cientistas.
Não quero ser cético sobre a autenticidade dos grandes impactos ambientais, e sobre os males que o aquecimento global pode estar causando. Mas uma pergunta não quer calar: Será que existem mais pessoas morrendo pela ação dos impactos ambientais porque elas estão a morar cada vez mais perto das áreas de riscos?
Para terminar deixo uma frase da Revista Veja que resumi toda esta história:
Já começou a catástrofe causada pelo aquecimento global, que se esperava para daqui a trinta ou quarenta anos. A ciência não sabe como reverter seus efeitos. A saída para a geração que quase destruiu a espaçonave Terra é adaptar-se a furacões, secas, inundações e incêndios”.

Texto de Eduardo Galeano

Na minha última postagem citei uma frase de Eduardo Galeano retirada do texto Salva Vidas de Chumbo. Realmente este texto é muito bom, é a realidade ao extremo. Pena que poucas pessoas possuem esta percepção fora do comum.

18.8.06

Mais frases......

“Terras que produziam de tudo para o mercado local agora se consagram a um único produto para a demanda estrangeira.
Nós nos desenvolvemos para fora e nos esquecemos de dentro.
O mono-cultivo é uma prisão, sempre foi, e agora, com os transgênicos, é muito mais.
A diversidade, por sua vez, liberta.
A independência se reduz ao hino e à bandeira, se a soberania alimentar não é assentada. A autodeterminação começa pela boca.
Só a diversidade produtiva pode nos defender das súbitas despencadas de preços que são costume, mortífero costume, do mercado mundial”.

(Eduardo Galeano, Salva vidas de Chumbo – agosto de 2006)
***

13.8.06

Enquanto isso no mundo real.....

Adoro entrar no site da Secretaria do Meio Ambiente de SP, muito informativo e complexo.
Como estou com o pulmão cheio de cinza de cana queimada, entrei neste site para verificar o que o nosso governo está fazendo para amenizar ou ajudar a gente, pobres mortais não-possuidores de latifúndios agrobussiness de cana. Bem, a situação é interesante. A queima foi proibida no fim de julho devido a baixissíma umidade relativa do ar, agora novamente a queima é liberada, porém em algumas cidades não. Estranho, porque tem cidades próximas com a mesma situação climática porém com leis diferentes. Aqui pode, mas aqui não pode? As cidades do circuito do fogo e cinza de Ribeirão Preto não podem queimar, mas cidadezinhas próximas, engolidas recentementes pela industrias alcooleiras, podem queimar a vontade.
O mais interessante é que tem um site da secretaria (SIGAM - Sistema Integrado de Gestão Ambiental - SMA/CPRN) que informa sobre a Eliminação Gradativa da Queima da Palha da Cana-de-Açúcar e dá diretrizes para uma queima com baixos impactos ambientais. Uma das diretrizes brilhantes é sobre os cuidados com a fauna na hora da queima, segue abaixo:

PROTEÇÃO DA FAUNA
medidas a serem adotadas
- realizar as queimadas de forma unidirecional visando permitir a fuga dos animais para áreas do entorno.

- realizar, preferencialmente, a queimada no sentido das áreas florestadas com intuito de direcionar a fauna às mesmas.

- Cabe salientar que é necessária a formação de aceiros para a proteção das áreas florestadas, conforme a lei 10.547/00 e a lei 11241/02, visando a preservação dos locais de fuga da fauna a ser impactada.
É triste pensar que mesmo o Brasil tendo potencialidades em outros setores temos que engolir a seco a atribuição dada ao Brasil de celeiro produtivo (que beneficia só a elite). Queimem o solo, adestrem a biodiversidade para facilitar sua fuga do fogo, exportem soja com gostinho de cerrado para as vacas européias, exportem álcool para os carros japoneses.....e assim a biodiversidade e brasileiros com cinzas nos pulmões agradecem... Viva a inovação tecnológica do agronegócio.

11.8.06

Frases do Dia

"Se os biólogos desejam conservar os trópicos, devem comprá-los com cuidado, energia, esforço, estratégia, tática, tempo e dinheiro"
Daniel Janzen, biólogo conservacionista norte americano, 1986

"O que importa nos trópicos é área, é metro quadrado, é hectare. Se a idéia é preservar, só há uma solução: cerca e polícia"
Paulo Emílio Vanzolini, em entrevista ao Jornal da Tarde em 28 de fevereiro de 1998.





Continua.....

7.8.06

VIII ENNECO

"Em sua 8º edição, o Encontro Nacional de Ecólogos busca discutir as bases de formação e a demanda deste profissional, atuação e demanda no mercado de trabalho. No bojo das comemorações do 30 anos do curso de graduação em Ecologia no Brasil, o ENECO modifica sua sigla para ENNECO, estabelencendo assim a sua identidade."

5.8.06

Receita de bolo – parte II (realidade brasileira)

Na receita de bolo - parte I - critiquei a abordagem conservacionista determinista que tenta explicar padrões complexos de maneira simplificada e cartesiana. Acho que é de consenso geral que a questão ambiental é complexa. Por isso, este assunto deve ser tratado de forma integrada e multidisciplinar. Pesquisas que enfocam esta problemática de maneira simples, culpando grupos humanos específicos pela destruição, no meu ponto de vista só servem para serem inseridos no Currículo Lattes e servirem de citação para outro trabalho semelhante. Trabalhos que tentam importar fórmulas prontas de conservação têm um apelo romântico e não se encaixam na realidade sócio-ecônomica brasileira.
Já critiquei muito, talvez deva também apontar algumas possíveis soluções ou diretrizes para verdadeira conservação de biomas brasileiros:


1- Falta pesquisa básica, como queremos aplicar nosso conhecimento em ações inovadoras se não conhecemos quase nada da biodiversidade brasileira. Identificação de novas espécies e mapas de distribuição geográficas dos organismos é essencial para o planejamento de ações de gestão ambiental.

2- Uma solução interessante é criação de um banco de dados, muita coisa já feita no Brasil, só que a informação se perde, muitos trabalhos são financiados para fazer a mesma tarefa que outro já fez. No estado de São Paulo este trabalho já é feito pelo Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA), mas ainda esbarra em burocracia e dificuldade de adquirir dados.

3- Todo município deveria ter um Sistema de Informação Geográfica (SIG) obrigatório no Plano diretor, isto não seria caro, muita coisa já está pronta em bases de dados do IBGE, NASA, USGS, etc... O programa Biota FAPESP fez em 2004 o levantamento florestal do Estado de São Paulo, muita desta informação não é usada, e é pouco aproveitada pelos municípios. Cada município deveria ter mais autonomia em relação a políticas ambientais, com este SIG, por exemplo, poderiam se inferir áreas de risco, porcentagem de reserva legal, áreas de proteção permanente que são bases primordiais para um planejamento ambiental.

4- Colocar na mesma mesa de reuniões opiniões extremas objetivando chegar a um lugar comum. Um esforço deve ser feito para que haja uma comunicação entre opostos seja efetivada. Preservacionistas, conservacionistas, sociedades tradicionais, tecnocratas e governo terão que encontrar um diálogo comum urgente.

5- Só depois de lesada por uma lei ou decreto a comunidade cientifica aparece para reivindicar; uma melhor participação dos cientistas na elaboração das leis poderia evitar estes problemas.

6- Enquanto não houver um planejamento territorial adequado (ver novamente 3), o crescimento desordenado das cidades, conurbações, especulação imobiliária, reivindicação de terras e desmatamento irão ocorrer. Nem mesmo uma fiscalização milagrosa pode encontrar todos os culpados sem um planejamento adequado.

7- Talvez uma solução a longo prazo para muitos políticos, a educação é fundamental para formação de jovens conscientes e para construção de uma massa crítica que um dia poderia tirar o Brasil deste coronelismo sem fim. A formação de analfabetos funcionais, venda de diplomas superiores e títulos de doutores é uma realidade grotesca. Outro problema é que a ciência é pouco divulgada, é importante a população saber os benefícios e avanços do mundo cientifico.

8- Importar fórmulas prontas de conservação no Brasil é ineficiente, conhecer a realidade social e econômica das regiões brasileiras é de vital importância para criação de ações conservacionistas. Ações egoístas e arrogantes para proteção de áreas naturais a qualquer custo, só faz crescer a insatisfação de populações locais. Queremos parques para elite usar seus equipamentos de montanhismo, trecking e de observação de aves; ou parques que garantam a conservação da biodiversidade e ao mesmo tempo funcionem com um espaço para o uso público.

9- Novas alternativas de produção verdadeiramente ecológicas devem ser financiadas e criadas pela iniciativa privada e estado. Será que selos verdes, ISO, certificadoras realmente funcionam? Quem certifica as empresas certificadoras? O álcool é uma boa alternativa? Mesmo empregando mão de obra escrava, acabando com os solos e entupindo nossos pulmões de cinza de cana.
10- Uma aplicação da lei que seja justa, culpando os verdadeiros criminosos ambientais do país e também ajudando a evitar erros e trapaças em licenciamentos e estudos de impactos ambientais.
Utopia? Talvez sim, porém não assumo que seja fácil. Com união e objetivos comuns, que é realmente salvar a biodiversidade, podemos começar a reverter este quadro.
***

3.8.06

Exemplo receitinha de bolo

Devido a pedidos resolvi exemplificar a receita de bolo, primeiramente gostaria de deixar bem claro que não possuo nenhum conflito pessoal com os autores. As bibliografias são publicadas para receberem críticas positivas e negativas, fator essencial para o avanço da ciência.

1- Título criativo incriminando grupos humanos politicamente fracos e oprimidos: O impacto dos Guarani sobre Unidades de Conservação em São Paulo*.
* OLMOS, F. ; BERNARDO, C. S. S. ; Galetti, M. . O impacto dos Guarani sobre Unidades de Conservação em São Paulo. In: Ricardo, F. (Org.). Terras Indígenas e Unidades de Conservação da Natureza: o desafio das sobreposições. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2004, p. 246-261.


2- Introdução histórica e propagandística:
A Mata Atlântica já ocupou o equivalente a 1,35 milhões de km2, mas hoje é um dos biomas mais ameaçados e com a maior concentração de espécies em perigo por ter sido reduzida a 7,3% de sua extensão original (Fundação SOS Mata Atlântica & Inpe 2002). A maior parte das florestas existentes está em estágio inicial/médio de sucessão vegetal, ocupando áreas antes degradadas por desmatamentos ou poluição.”
Indigenistas têm frequentemente usado o argumento que a ocupação indígena contemporânea de UCs na região é “tradicional” devido à presença de sambaquis e testemunhos históricos da presença de grupos Tupi na região. Mas não há absolutamente evidência cultural, arqueológica, genética ou antropológica que ligue os povos sambaquieiros (extintos após a chegada dos Tupi e dos subgrupos Guarani entre 800 e 1.000 d.C.) aos grupos Guarani contemporâneos que reivindicam terras na Mata Atlântica paulista (Uchoa, 1982; Figuti 1999; Gaspar, 2000).

E porque não vender a idéia (notem a criação do vilão):
O território de algumas UCs paulistas apresenta sobreposição parcial ou total com terras ocupadas por grupos Guarani ao longo da faixa florestada das serras do Mar, Paranapiacaba e Itatins. Esta sobreposição é resultado de diferentes processos e constitui um dos maiores problemas para a conservação da biodiversidade no que é um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica no planeta.”
Há pouca esperança de que as UCs na Mata Atlântica ocupadas por “populações tradicionais” abrigarão sua biodiversidade original no futuro, já que a exploração comumente predatória dos recursos naturais (facilitada pela relativa imunidade legal dos índios e processos judiciais lentos) aliada ao crescimento populacional destas comunidades eventualmente terminará por deixar estes territórios tão modificados e empobrecidos como a maioria das terras que não dispõem de proteção integral”.

3- E os objetivos, bem retilíneo e simples,:
Ao contrário dos etno-pesquisadores, cientistas naturais como os biólogos formulam perguntas sobre o impacto humano à biota impactada, e não às populações impactantes, uma abordagem que busca estudar a realidade de forma menos subjetiva.”
Mas ainda assim a ciência continua humana...

Desta forma, o intuito dessa pesquisa foi determinar a abundância de mamíferos e aves de grande porte (medida em avistamentos a cada 10 Km) em cinco diferentes regiões do Parque. Com base nestes resultados foi verificado se a atividade de caça dos Guarani Mbyá e caiçaras (aqui medida como uma função da distância de suas vilas) influencia a abundância de mamíferos e aves de grande porte dessa UC de Proteção Integral. Espera-se que, se existe impacto, espécies mais vulneráveis à ação humana ocorram em maiores densidades em áreas mais afastadas das vilas, ou mesmo apenas aí. Se a presença humana não for negativa, este efeito não deverá ocorrer.”
*Mas qual é padrão de distribuição da fauna dentro da ilha ou até mesmo na região do vale do Ribeira? Qual o deslocamento e área de vida dos grupos de animais atingidos?

4- Resultados: A regra é test T, isto é, usar ánalise univariada para temas complexos.
“Encontramos uma correlação altamente significativa entre abundância de mamíferos cinegéticos e distância de habitações humanas no PEIC (r2=0,09; F=6,27; P=0,014), porém o mesmo não foi obtido para aves (r2=0,0003; F=0,02, P=0,86). Isso significa que quanto mais longe de uma vila maior a abundância de mamíferos cinegéticos, porém o mesmo não ocorre para aves.”
Pronto está provado, agora é só colocar uma CERCA.


5- Discussão: Agora é usado todo poder imaginativo....
O Parque Estadual Ilha do Cardoso pode ser considerado uma “floresta quase vazia” (Redford, 1992) devido à baixa abundância de espécies de aves e mamíferos cinegéticos”.
Agora um pouco de psicologismo.....
É uma demonstração de esquizofrenia social o fato dos índios do Peic possuírem auxílio de entidades e benefícios da sociedade envolvente, tais como cestas básicas distribuídas regularmente e aposentadorias pelo INSS (dificilmente formas tradicionais de subsistência), e ao mesmo tempo dilapidem o patrimônio natural do Peic através de suas atividades de caça sob o manto da “manutenção da cultura tradicional”. É bastante claro que as atividades dos índios são incompatíveis com as funções para as quais o Peic foi criado e para a perenidade de seus atributos”.

6- E para terminar:
Este processo de invasão, facilitado pela forma condescendente (para não dizer incentivo) com que parte do Judiciário trata os autores, é uma das maiores ameaças à sobrevivência das Unidades de Conservação na Mata Atlântica, pois vitima exatamente as áreas que deveriam estar seguras do impacto antrópico e serem testemunho de como ecossistemas funcionam e são ricos quando livres da exploração humana. Apoiar demandas de “povos tradicionais” não implica necessariamente em conservação de ecossistemas e da biodiversidade. Entidades indigenistas e seus simpatizantes no Ministério Público precisam abandonar a visão de que é possível o retorno dos povos indígenas à forma de vida que pertence a um passado idealizado que nunca foi idílico. Devemos voltar nossa visão para como será o futuro. Da mesma forma como deploramos hoje o que nossos ancestrais fizeram com nosso meio ambiente e como construíram nossa sociedade desigual, nossos descendentes nos culparão se sacrificarmos desnecessariamente áreas naturais preciosas pela messiânica busca de “terras sem males” e numa mal direcionada tentativa de compensação aos índios pelos atos cometidos no passado.”

Será que é isto que o Brasil precisa no Futuro? Aumento da exclusão social, cegueira contra a verdadeira realidade social do país, muros e cercas, políticas somente para elites, arrogância cientifica, brigas entre indigenistas e conservacionistas. Acho que humildade é que nos falta.
Para ver texto completo clique no link:
http://ns.rc.unesp.br/ib/ecologia/fenologia/Papers/Olmos,%20Bernardo%20&%20Galetti.pdf