2.9.07

A fumaça ecológica do biocombustível: a externalidade que vale a pena

No saguão de um luxuoso hotel de Nova Iorque, dois banqueiros ficam boquiabertos com as oportunidades de investimentos nos biocombustíveis; um grupo de ecologistas verdes-europeus em festa com recente notícias sobre a produção de etanol e um pacato morador honesto de tóquio está feliz em usar álcool em seu carro e poluir menos seu pequeno país.

No cair da tarde no interior de São Paulo as usinas, a todo vapor, esperam a chegada da noite para colocar fogo nos canaviais, como manda a lei. O sol nasce e lá vão eles, já com a marmita fria, cortar toneladas de cana para poder no outro dia fazer a mesma coisa.

No município vizinho os gastos com medicamentos e internações causadas por doenças respiratórias aumentam significativamente, já que mesmo com níveis alarmantes de baixa umidade relativa do ar as queimadas, silenciosamente, não cessam.

Municípios com economia voltada para agricultura com semelhantes níveis de poluição que São Paulo. Uma minoria rica e a maioria sonhando em ter a chance de contar que teve um emprego pelo menos uma vez na vida, mesmo como bóia-fria.

A Mata Atlântica do interior só vai ser lembrada como motivo de ação penal, já que pela lei 20% de vegetação nativa pode atrapalhar o desenvolvimento do eco-combustivel no país. O Cerrado só por foto.

E por que 20% e não menos, arbitrário não? Provar, financiado com o dinheiro do agronegócio, que 20% de reserva legal é incostitucional é altamente previsível que saia na capa da Veja.

A União Européia e os EUA querem a diminuição dos gases estufa por isso as externalidades valem a pena quando a fumaça se transforma em sucesso e poder. O markenting ecológico, juntamente com a globalização ecológica, conseguem ser tão falsos quanto o potencial energético do álcool. Regressamos ao passado, somos canaviais hereditários das metrópoles "ecológicas".

2 comentários:

João Carlos disse...

Quem não pode ser da OPEP, "caça" com etanol... E por que não?... A Mata Atlântica não ajuda a formar "superávit primário", o cerrado só gera "reservas de US$" quando devidamente queimado e com boi no pasto e soja plantada, e a biodiversidade que se dane! Para que existem Jardins Zoológicos, afinal?...

Enquanto isso, o Major Archer que continue esmurrando a tampa da tumba... porque tem povo que não aprende nunca.

Fernando e Christiane Pimentel Teixeira disse...

Texto perfeito. Parabéns. Vamos divulgar teu blog.
Fica o convite pare conhecer as nossas páginas:
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Um abraço de Lontra!
Fernando