24.12.06

Feliz Natal e um Ano Novo Repleto de Realizações...



Obrigado a todos que visitaram o Blog Biodiverso em 2006 e tiverem paciência de ler minhas reclamações, ilusões e idéias...
Em 2007 o Blog continuará com força total.

- Abraços a todos deste mundo biodiverso -

14.12.06

Presente de Natal....

Eu não sei se é mesmo verdade, se foi mesmo votado e o que vai acontecer. A notícia que os parlamentares dobraram seus salários é difícil de acreditar e pode mesmo se tornar realidade. O aumento será de 90,7% mudando o valor de R$ 12,847,20 para R$ 24.500.
Como uma ação deste tipo pode acontecer em um país que precisa crescer, engrenar no mercado, dividir renda e investir na educação, meio ambiente e no social. Eu sinto repúdio destes parlamentares, e mais raiva ainda da população apática que aceita e assina embaixo nestas situações. O que mais pode acontecer nesta democracia frágil, que mais parece um coronelismo de cabresto, como demonstrado nas últimas eleições. Eu pensei que a eleição de artistas engraçados, perobas, sanguessugas e mensaleiros fosse o fundo do poço, mas estamos longe disto.
Enquanto a elite brasileira não for mais carismática e bondosa, deixando pelo menos o resto que sobra do dinheiro para população em geral, nosso país não mudará de situação. Serão novos PCCs, Sem-Terras e pobreza em geral "atrapalhando" o andamento deste "país que cresce" (como diz o Lula, apesar do PIB igual do Haiti).
Culpar também grupos oprimidos e a legislação ambiental de atrapalhar o desevolvimento do país é de brutal ignorância nos dias de hoje e só mostra a verdadeiro analfabetismo político brasileiro, que é pragmático, desenvolvimentista e propagandístico (isto mesmo lembra a ditadura, bem lembrado).
Quando dizemos que a legislação ambiental brasileira é uma das melhores do mundo, não estamos totalmente errados, erramos somente em achar que ela funciona, talvez funcionasse na Europa ou sei lá aonde. Mas agora estou tranquilo, com este aumento os parlamentares irão trabalhar com mais vontade e com certeza irão pensar em projeto bem futuro distante de melhoria de renda dos mais necessitados.

1.12.06

Aprovado o Projeto de Lei da Mata Atlântica

Portal do Meio Ambiente - Depois de 14 anos em tramitação, o Projeto de Lei da Mata Atlântica (PL 3285/92, apresentado pelo ex-deputado federal Fabio Feldmann) foi aprovado hoje (29 de novembro) pela Câmara dos Deputados. Agora, o texto segue para sanção do presidente Luís Inácio Lula da Silva, apoiado em um forte acordo firmado pelas lideranças dos partidos pela aprovação e posterior implantação da lei que regulamenta o uso e proteção das áreas deste bioma que já foi 93% devastado.


“Felizmente temos em mãos um projeto muito atual e moderno”, avalia Mario Mantovani, diretor de mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica. “Durante estes anos, o PL foi sendo atualizado por leis como as de Crimes Ambientais, dos resíduos sólidos e dos recursos hídricos. Questões como a dos estágios sucessionais já foram regulamentadas em 16 Estados, em conselhos estaduais e no Conselho Nacional de Meio Ambiente.”

“A aprovação do Projeto de Lei é fundamental e com ela o Congresso brasileiro paga uma dívida que começou em 1988 com a Constituição Federal”, analisa Fabio Feldmann, autor do projeto, um dos fundadores da SOS Mata Atlântica e atual secretário-geral do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas. “Com a aprovação deixam de existir dúvidas sobre o que é e qual a extensão da Mata Atlântica e se assegura a proteção dos remanescentes. Hoje, muitos empreendimentos imobiliários colocam como atrativo o fato de estarem na Mata Atlântica, a mídia cobre vastamente as iniciativas no bioma, qualquer estudante sabe o que é Mata Atlântica e ainda assim passamos por 14 anos de enormes resistências”.

Mantovani ressalta o papel do ex-deputado Fabio Feldmann que em 1992 “teve a coragem de apresentar este projeto em contraponto ao Decreto 750, quando o desmatamento estava sem controle”. “A ministra Marina Silva e vários deputados, como Luciano Zica, Fernando Gabeira e o relator Edson Duarte se envolveram pessoalmente para que esta vitória fosse possível”, afirma. “Tivemos uma intensa participação da sociedade em todas as etapas do Projeto, com forte mobilização, o que demonstra a legitimidade desta vitória”. Entre os avanços que o Projeto de Lei da Mata Atlântica traz estão a criação de um fundo de restauração, a redução de impostos, a facilidade de acesso a linhas de crédito para proprietários de terras com áreas preservadas e, principalmente, a proteção e a conservação do bioma.


29.11.06

Guia para Criar e Implementar Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs)



Guia para Criar e Implementar RPPNs, organizado pela Associação de Proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural de Mato Grosso do Sul (Repams), WWF-Brasil e CI-Brasil.


Download aqui


Fonte: WWF

18.11.06

Publicações - RPPN da Mata Atlântica


RPPN da Mata Atlântica

Um Olhar Sobre as Reservas Particulares dos Corredores
de Biodiversidade Central e da Serra do Mar

Por Carlos Alberto Bernardo Mesquita




17.11.06

Publicações - O que o brasileiro pensa da biodiversidade?

Avaliar a percepção e a consciência da população brasileira sobre temas ambientais foi o principal objetivo da pesquisa nacional de opinião pública “O que os brasileiros pensam sobre a biodiversidade?”. Divulgada em 22/05/2006, dia Internacional da Diversidade Biológica, a pesquisa uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, em parceria com WWF-Brasil, Funbio (Fundo Nacional para a Biodiversidade), Natura e realizada pelo Instituto Vox Populi com coordenação do ISER (Instituto de Estudos da Religião)... [clique aqui para ler mais]


Download aqui

Fonte: WWF-BRASIL


15.11.06

Publicações - Avaliação do Estado de Conhecimento da Biodiversidade Brasileira

Avaliação do Estado do Conhecimento da Biodiversidade Brasileira

Versão Completa em dois volumes:
Volume 1 (3,89 MB)
Volume 2 (4,26 MB)

Arquivos:

Mapa das Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade

O Decreto 5.092, de 21 de maio de 2004, definiu que o Ministério do Meio Ambiente deveria definir as regras para identificação de áreas prioritárias para a para a conservação, utilização sustentável e repartição dos benefícios da biodiversidade.

Por meio da Portaria 126, de 27 de maio de 2004, o Ministério do Meio Ambiente estabeleceu que as áreas prioritárias são as apresentadas no mapa "Áreas Prioritárias para a Conservação, Utilização Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira", publicado pelo Ministério do Meio Ambiente em novembro de 2003 e reeditado em maio de 2004.

Os seminários de avaliação dos biomas foram desenvolvidos por diversas instituições e sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente com o objetivo de identificar as áreas e as ações prioritárias para a conservação, utilização sustentável e repartição de benefícios da biodiversidade brasileira. Foram realizados seminários de avalilação dos biomas do Cerrado e Pantanal, coordenado pela FUNATURA, Mata Atlântica e Campos Sulinos, coordenado pela Conservation International do Brasil, Amazônia Brasileira, coordenado pelo Instituto Socioambiental, Caatinga coordenado pela Universidade Federal de Pernambuco e Zona Costeira e Marinha, coordenado pela Fundação BioRio. Os resultados consolidados dessas avaliações estão disponíveis nesta página para cópia ou visualização.

Mapa das áreas prioritárias para a conservação dos biomas brasileiros

Recomendações para as áreas prioritárias

Os arquivos com os dados cartográficos estão no formato "shape file", compatível com o Programa ArcExplorer 4.0.1 (programa de livre distribuição). Para adquirí-lo basta acessar o site da ESRI.

Arquivos cartográficos digitais (.zip):


FONTE: MMA


14.11.06

Publicações - Política Ambiental


Política Ambiental é uma revista eletrônica da CI-Brasil que visa publicar com agilidade análises feitas pela equipe técnica da organização ou de instituições parceiras, sobre os mais variados temas associados à política ambiental brasileira.

Programa de Incetivo às RPPNs lança edital para criação de novas reservas

O quinto edital do Programa de Incentivo às RPPNs da Mata Atlântica receberá, até dia 8 de janeiro de 2007, propostas que visem a criação de novas reservas ou de um conjunto de RPPNs. Além do Corredor de Biodiversidade da Serra do Mar e do Corredor Central da Mata Atlântica, contemplados nos quatro primeiros editais, este passa a beneficiar também duas novas áreas: o Corredor do Nordeste e a Ecorregião da Floresta com Araucária, totalizando 51,8 milhões de hectares. O Programa oferece até R$ 8.000,00, no caso de criação individual, e R$ 40.000,00, para criação coletiva de RPPNs localizadas dentro destas áreas específicas.

A nova linha de financiamento, que conta com o aporte de R$ 1 milhão da Bradesco Capitalização, funciona em outro formato. Em primeiro lugar, abrange todo o bioma Mata Atlântica e não apenas as áreas dos Corredores. Além disso, prevê que os projetos para criação de RPPNs, planejamento e gestão compartilhada de reservas, iniciativas inovadoras e atividades econômicas sustentáveis sejam apresentados em qualquer período do ano, devendo somente atender as diretrizes definidas pela coordenação do Programa.

Os detalhes do edital e da nova linha de financiamento podem ser conhecidos nos seguintes sites:
http://www.aliancamataatlantica.org.br
http://www.conservacao.org
http://www.corredores.org.br
http://www.nature.org/brasil
http://www.sosma.org.br





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13.11.06

Mais guias sonoros feitos no Brasil...


Por Diário de Cuiabá - Os cantos das aves de Alta Floresta, sudoeste da Amazônia brasileira, foram cuidadosamente selecionados através de uma pesquisa realizada pelos ornitólogos Curtis A. Marantz e Kevin J. Zimmer e reunidos num conjunto de CDs lançado recentemente pelo Cornell Lab. of Ornithology da University de Cornell, em Nova York(USA), com apoio da Fundação Moore. São seis cds com gravações da vocalização de 446 aves que ocorrem nas florestas da Amazônia brasileira, ao sul do rio Amazonas, entre o rio Madeira até o limite sudeste da bacia amazônica no Maranhão...[para ler mais]

5.10.06

Regulamentação da RPPN no Estado de São Paulo

Foi publicado hoje no Diário Oficial do Estado de São Paulo o Decreto Estadual nº 51.150, que estabelece a criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) no âmbito estadual. Este decreto é uma grande conquista e facilitará muito a conservação das terras privadas no Estado de São Paulo, que carecia tempos atrás de uma política própria para as RPPNs. Com isso novo pedidos deverão ser feitos na Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo, não mais nos escritórios regionais do IBAMA.


Os interessados deverão apresentar os seguintes documentos:

I - comprovação de dominialidade, representada por certidão atualizada do registro do imóvel, emitido pelo serviço de Registro de Imóveis competente, acompanhada de certidão negativa de ônus reais, ou, se for o caso, da anuência dos credores para a instituição da Reserva Particular do Patrimônio Natural;

II - no caso de pessoa física, cédula de identidade do proprietário ou de procuração, por instrumento público, com poderes específicos, se for o caso, assim como, se legalmente necessário, documento comprobatório de outorga uxória;

III - no caso de pessoa jurídica, atos constitutivos atualizados, CNPJ, designação de representante legal com atribuições e poderes específicos, ou procuração com poderes específicos, e documentos do responsável legal;

IV - comprovante de quitação do Imposto Territorial Rural - ITR ou Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU, conforme o caso;

V - mapa da propriedade, em escala compatível, com descrição das divisas e identificação dos confrontantes e da área proposta como Reserva Particular do Patrimônio Natural.


Maiores informações
http://www.frepesp.org.br
http://www.rppnbrasil.org.br



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3.10.06

Devemos ficar de olho?

Achei esta reportagem meio no susto na Internet, apesar de parecer mais boato do que propriamente uma notícia, parece trazer a tona novamente o olho gordo dos estrangeiros em cima da Amazônia. A reportagem não explica muito bem a questão e também não consegui achar outras fontes de informação, mas vamos esperar, pode ser interessante...

Segue a notícia:

Governo inglês divulga plano para privatizar a Amazônia
Redação 24HorasNews


O governo inglês, por meio de David Miliband, secretário de Meio Ambiente britânico, divulgou na semana passada no México um plano para transformar a floresta amazônica em uma grande área privada.

O anúncio foi feito em um encontro realizado na cidade de Monterrey, segundo informou o jornal "Daily Telegraph". O evento reuniu os governos dos 20 países mais poluidores do mundo.

A proposta inglesa, que conta com o aval do primeiro-ministro Tony Blair, visa a proteger a floresta, segundo Miliband. O próprio político admitiu que a idéia está em seu estágio inicial e que será preciso discutir as questões de soberania da região com o Brasil.

O plano prevê que uma grande área da Amazônia passaria a ser administrada por um consórcio internacional. Grupos ou mesmo pessoas físicas poderiam então comprar árvores da floresta.

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1.10.06

Burocracia emperra criação das Reservas Particulares do Patrimônio Natural

Agência Estado - Resultado do ato espontâneo de proprietários de áreas de relevância ambiental, as reservas particulares de patrimônio natural (RPPNs) em âmbito federal vêm crescendo em ritmo lento nos últimos três anos, o menor já registrado desde a sua regulamentação, em 1990. Até 2002, surgiram, em média, 31 por ano. Em 2003, só duas. O número subiu nos anos seguintes, mas não muito: parou na casa dos 10.

Enquanto isso, 151 processos de criação aguardam um fim no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pela avaliação do pedido.

As RPPNs, uma parceria entre o poder público e pessoas físicas ou jurídicas que decidem transformar suas terras em unidades de conservação, totalizavam, até o ano passado, 425 reservas federais, abrangendo 442 mil hectares. Mais recentes, surgidas em 1997, as unidades em âmbito estadual somavam 268 áreas. São permitidos só dois tipos de atividade: pesquisa científica e visitação (turística, recreativa ou educativa).

"Houve uma pausa no processo de criação. O proprietário não tem um reconhecimento do governo, já que está levando anos para conseguir criar uma reserva", reclama Alexandre Martinez, presidente da Confederação Nacional de RPPNs.

Dono da maior unidade de conservação particular de São Paulo, João Rizzieri também critica. Passam muito tempo com os documentos e só depois avisam que falta alguma informação, diz o presidente da Federação das Reservas Ecológicas Particulares de São Paulo.

Marcelo Françozo, da Diretoria de Ecossistemas do Ibama, admite problemas. "Talvez a gente não venha dando a ênfase necessária para os donos, que são movidos pela preocupação com o meio ambiente. Mas vamos dar prioridade", assegura, citando ações recentes, como o decreto federal que regulamenta as reservas particulares, e a criação do roteiro que ajuda a elaborar o plano de manejo da unidade. "Em muitos casos, o nosso processo pode parecer lento. Cientes disso, vamos lançar uma instrução normativa para deixar claros passos e prazos que os órgãos têm de cumprir", adianta. Segundo ele, dos 151 processos que estão no Ibama, 80 aguardam papéis de proprietários.

Além das dificuldades para a criação, há uma preocupação com a sustentabilidade. Quando a RPPN é reconhecida, os donos devem ter isenção do Imposto Territorial Rural e proteção especial do Ibama para evitar a degradação no terreno, além de prioridade na concessão de créditos agrícolas e de recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente. Mas há quem reclame. "Tudo o que tenho foi construído com recursos próprios ou de instituições estrangeiras", queixa-se Luiz Nelson, dono de reserva no Estado do Rio.

Coordenador de Pós-Graduação em Gestão Ambiental da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Haroldo Mattos de Lemos avalia que o governo tem dificuldade para ressarcir todos os donos de terras que devem ser preservadas, daí a importância das RPPNs. A idéia, diz Mônica Fonseca, da ONG Conservação Internacional, é complementar o trabalho do poder público. Ambos reconhecem falhas na fiscalização. Para isso, Lemos sugere outra parceria - com as ONGs.

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Para saber mais sobre RPPNs clique aqui
Para saber como mapear sua RPPN clique aqui

18.9.06

Seja ecologicamente correto quando for usar uma arma

Eu já vi certificação ambiental de tudo, mas isto aqui é inacreditável... Viva a economia ecológica!

Empresa cria armas que respeitam o meio ambiente

Da France Presse

17/09/2006

10h55-A fabricante britânica de armamento BAE Systems está criando armas "que respeitam o meio ambiente". Entre elas estão balas "com carga reduzida de chumbo", granadas "com pouca fumaça" e foguetes com menos produtos tóxicos, informou o The Sunday Times. Outras iniciativas são o desenvolvimento de veículos blindados que emitem menos carbono, a fabricação de artilharia mais segura e sustentável e até a reciclagem de explosivos usados. "As armas serão empregadas e, quando isto correr, tentaremos torná-las mais seguras para o usuário, limitando os danos colaterais e causando o menor dano possível ao meio ambiente", declarou ao jornal Debbie Allen, encarregado da responsabilidade social da BAE Systems.
Symon Hill, da campanha "Against Arms Trade" (Contra o Comércio de Armas), qualificou a iniciativa de "risível". "A BAE Systems tenta criar uma imagem ética, mas está fabricando armas para matar gente e é ridículo sugerir que elas respeitam o meio ambiente", declarou Hill ao jornal.
A política da BAE Sytems é aprovada pelo ministério britânico da Defesa, que sustenta que o conceito de "munições verdes" não é contraditório.
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16.9.06

Mais uma solução "brilhante"...

Depois dos "famosos" artigos publicados em revistas como a Science e Nature, com soluções brilhantes para problemas ambientais, com autoria de pesquisadores americanos e por alguns brasileiros que vão na onda. Saiu novamente outra solução brilhante: O VULCÃO ARTIFICIAL.


Para lembrar, neste ano vários pesquisadores resolveram ter planos brilhantes, com a seguinte justificativa: quem não tem cão caça com gato.
Uma das soluções mais interessantes publicado na Nature, foi a da reintrodução da fauna pleistocênica nos EUA (Re-wilding North America), isto mesmo, pegar alguns animais da África de soltar novamente na Ámérica.
A outra solução, publicada na Science agora, foi a da "arca de noé anfíbia", fungos terríveis estão dizimando os anfíbios do planeta, a única solução, muita grana para poder levar todos estes animais ameçados para zoológicos americanos para serem salvos, e pronto resolvido.
Isto me faz lembrar da receita de bolo, e vocês viram funciona até para Nature e Science.



"Vulcão" artificial pode resfriar o planeta


Por RAFAEL GARCIA - Proposta polêmica para combater o aquecimento global - lançar milhões de toneladas de um poluente na alta atmosfera - parece ganhar força com a demorada humanidade em reduzir as emissões de gases do efeito estufa. A idéia partiu de um conceituado climatologista, que propõe aviões para lançar dióxido de enxofre (SO2) no ar, mais ou menos como uma erupção vulcânica faz. "O SO2 oxida e adere ao vapor d'água para formar pequenas gotas de ácido sulfúrico", explica Tom Wigley, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA. "As gotículas refletem de volta a radiação solar e resfriam a baixa atmosfera", disse à Folha o cientista, que detalhou seu plano ontem, em estudo na revista "Science". Um detalhe: o ácido sulfúrico é tóxico e responsável pela famigerada chuva ácida. A medida poderia inibir o aquecimento por um período limitado, antes da redução efetiva das emissões. Wigley defende que seu plano seja adotado ao lado de acordos para cortar a emissão de gases-estufa. Propostas similares à de Wigley já haviam sido lançadas na década de 1970, mas foram logo descartadas em razão dos prováveis efeitos colaterais que trariam. Criar chuva ácida, afinal, não parece boa coisa, mas Wigley afirma que os benefícios superariam os custos. "O montante que eu calculo que tenhamos de jogar [na alta atmosfera] é de 5 milhões de toneladas de enxofre por ano, mas nós já estamos jogando entre 60 milhões e 70 milhões de toneladas na baixa atmosfera ao queimar combustíveis fósseis", diz o pesquisador. "O montante extra, portanto, é relativamente pequeno."Para estimar o quanto de SO2 seria necessário para levar a cabo seu plano, Wigley usou como base de cálculo a erupção do vulcão Pinatubo, nas Filipinas, em 1991. Na época, o fenômeno causou um leve resfriamento na média de temperaturas terrestres, mas sem desequilibrar o sistema. O ideal, portanto, seria criar um "Pinatubo virtual" em intervalos de um a três anos, até que as políticas de redução de gases-estufa comecem a ter efeito. O estudo de Wigley, porém, ainda não oferece uma estimativa de custo para a ousada proposta. O pesquisador acredita que seja necessário mobilizar uma frota de aviões maior do que a de todas as companhias aéreas comerciais do mundo somadas para atingir a meta. O cientista insiste em ressaltar que a solução deve ser temporária, porque não combate um outro problema causado pelos gases-estufa, a acidificação dos mares. "Além disso, o aerossol [as partículas de ácido sulfúrico] pode atrasar em algumas décadas a recuperação da camada de ozônio."


FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1609200601.htm

* Imaginem o tanto que vai poluir se for mobilizado toda a frota de aviões do planeta, não precisa ser doutor para prever isto.

13.9.06

Bóia-Fria: o mesmo assunto outra vez...

Não consigo parar de escrever e pensar sobre este assunto, talvez por razões óbvias ou por escutar todo dia algo novo sobre este tema pouco debatido pela sociedade: os impactos sociais e ambientais da produção de álcool no Estado de São Paulo. Segue uma nova notícia sobre este assunto.


230 bóias-frias mantidos em condição subumana em SP
Duzentos e trinta cortadores de cana foram encontrados vivendo e trabalhando em precárias condições em Pederneiras, Mineiros do Tietê e Dois Córregos. Os fiscais constataram a superlotação dos alojamentos, más condições de transporte, pagamento de remuneração abaixo do previsto no contrato coletivo de trabalho e a falta de equipamentos de proteção individual, de banheiros e até da água que o empregador tem obrigação de fornecer.
Na Fazenda Aguinha, dos empresários Airton Antonio Daré e Jair Orvaldo Daré, em Pederneiras, as equipes do Grupo de Fiscalização Rural, constituído pelo Ministério do Trabalho e Emprego e Ministério Público do Trabalho, encontraram 111 pessoas morando em 17 casas, sem a divisão por famílias e em condições de higiene e segurança precárias. Os cômodos tinham camas beliche para abrigar maior número de moradores, cujos alimentos, botijões de gás e pertences pessoais estavam misturados sobre as camas e pelo chão.
Os trabalhadores disseram que não pagam diretamente pelo aluguel das casas, mas têm parte da cana cortada descontada para esse pagamento. Também reclamaram que em vez dos R$ 0,25 por metro cortado, estabelecido na convenção regional de trabalho, vêm recebendo apenas R$ 0,11 o metro. Outra irregularidade é o transporte das ferramentas no mesmo compartimento dos trabalhadores, um procedimento proibido há muitos anos por razões de segurança.
Irregularidades parecidas foram encontradas junto a 120 cortadores que atuam para empreiteiras do Grupo Atalla, em Mineiros do Tietê e Dois Córregos. Nesta quarta-feira, o procurador Luiz Henrique Rafael reuniu-se com representantes da Fazenda Aguinha, que assumiram compromissos de solução imediata dos problemas.
Na próxima sexta-feira, deverá ocorrer uma reunião com todos os empregadores fiscalizados para a elaboração de em termo de ajustamento. Os que não apresentarem solução terão o trabalho interditado e receberão multas. O coordenador do grupo de fiscalização, Roberto Martins Figueiredo, disse que está encontrando no corte de cana da região de Bauru uma das piores situações de todo Estado.
Semi-escravidão
Nos últimos anos, as usinas de açúcar e álcool terceirizaram os trabalhos de safra e os empreiteiros buscam mão-de-obra em Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Ceará e outros Estados. Esses trabalhadores costumeiramente são mal acomodados e explorados. No mês passado denúncias levaram a fiscalizações em Agudos e Pederneiras, onde cortadores eram mantidos em semi-escravidão. As empresas foram autuadas, pagaram os direitos trabalhistas e mandaram de volta 48 trabalhadores para os Estados da Bahia e Maranhão.
Os procuradores Luiz Henrique Rafael e José Fernando Maturana não descartam a possibilidade de, além das providências imediatas, promoverem ações em busca da responsabilidade dos empregadores, dos agenciadores de mão-de-obra, conhecidos como "gatos" e das próprias usinas e destilarias que recebem a cana cortada através do pacto trabalhista irregular ou descumprido.
*Fonte: www.ecodebate.com.br - matéria originalmente publicado no estadao.com.br - 13 de setembro de 2006 - 18:58

11.9.06

Álcool de cana: combustível ecológico?



"As exportações de álcool produzido a partir da cana-de-açúcar totalizarão US$ 2 bilhões em 2004, quase três vezes mais do que no ano passado."


"O Brasil, com sua disponibilidade de terras, sol e água, é um grande produtor de biomassa, e a fotossíntese faz do país uma potência energética."



"Combustível não-poluente, o álcool é um produto que cada vez mais interessa às nações interessadas em reduzir a emissão de gases nocivos à saúde humana."


"Outro indicador da importância social do agronegócio sucroalcooleiro é a geração de impostos, que a cada ano recolhe mais de R$ 12 bilhões aos cofres públicos."


"...respeitando áreas de preservação permanente e reservas legais"

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3.9.06

Qual será o futuro das áreas prioritárias para conservação da biodiversidade?

Depois de ter identificado as áreas prioritárias para conservação da biodiversidade, o que será feito de concreto para efetiva proteção ou planejamento destas áreas. No estado de São Paulo muitas áreas ditas como prioritárias sofrem de planejamento inadequado e desconhecidas pela população em geral. Venho de uma região do Estado de São Paulo que foi enquadrada com de extrema importância biológica pelo estudo AVALIAÇÃO E AÇÕES PRIORITÁRIAS PARA A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE DA MATA ATLÂNTICA E CAMPOS SULINOS, e talvez poquíssima gente saiba que vive em um lugar assim. Talvez os planos diretores destes municípios nem contemplem proteção de biodiversidade e o turismo regional, apesar de ecológico, não usa isto como markenting para atrair turistas.
Tive uma experiência frustrada de criação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural em São José do Rio Pardo - SP. Apesar dos atributos biológicos e de estar inseridas nas zonas prioritárias de conservação, orgãos ambientais e a comunidade no geral pouco se mobilizaram para criação efetiva desta área protegida.
Talvez uma união de setores produtivos da sociedade investindo em reservas privadas, fazendas ecológicas e ecoturismo, mais ações governamentais podem tirar este tema do esquecimento e da incompreensão. Senão pouco sobrará, a não ser estudos e trabalhos em prateleiras.

29.8.06

Clima X Fogo X Trabalhador

É impressionante o efeito dominó que ocorre em certas situações. Tenha criticado muito a fragilidade e a hipocrisia do agronegócio da cana no Estado de São Paulo. Com aclamações de combustível do futuro e ecologicamente correto para alguns, este tipo de economia no meu ver beneficia somente elites latifundiárias, marginaliza ainda mais os trabalhadores rurais e danifica o meio ambiente com suas gigantes plantações.
Nesta época seca tenho notado que não somente os bóias frias são tratados como escravos, nós todos viramos escravos também, porém deste sitema. Necessitamos da chuva para melhorar a poluição provocada pela queima da cana, mas se proibem a queima o preço do Álcool e da gasolina sobe, se proibem novamente, o cortador de cana não recebe o salário, e se recebe, ganha menos. Temos que lembrar que o bóia-fria recebe R$ 2,50 por tonelada de cana cortada, isto sim é a inovação tecnológica do agrishow. Estamos escravos a este sistema e nem doenças respiratórias e nem proibiçoes fajutas de queimadas podem reverter isto em curto prazo.
Segue abaixo um trecho retirado do Jornal A cidade de Ribeirão Preto, é intrigante:
A rotina do trabalhador envolvido com o processo de plantio, queima e transporte da cana-de-açúcar é árdua. Todos acordam cedo e ficam pelo menos até às 16 horas sob sol forte. Para evitar que o sol queime muito a pele é preciso usar calça e camisa de mangas compridas e chapéu com um lenço por baixo para evitar que orelhas e pescoço sejam atingidos pelos raios solares. Esta é a vestimenta de Derli de Jesus, 76 anos, há mais de 60 anos na lavoura. Ele já trabalhou no corte de cana e hoje limpa as ruas do canavial. “Está difícil trabalhar por causa do calor. Tomo quase 10 litros de água por dia. Mas a gente se acostuma com o serviço braçal. É mais duro para quem corta a cana crua. Trabalham muito e o serviço não rende. Com isto eles ganham menos”, afirma. O trabalhador Nilson Lima contabiliza na carteira profissional 37 safras. Diz que já fez de tudo no canavial e que nunca viu um clima tão ruim. “Para agüentar temos que comer bem e tomar cuidado para não deixar a comida azedar com este calor. O segredo é fazer antes de vir para o trabalho e colocar quentinha na marmita. Deu 11 horas tem que comer. Se passar deste horário estraga tudo”, comenta. O calor atrapalha a vida de todos os trabalhadores do campo. João Xavier da Silva classifica o clima atual como “terrível”. “A chuva tem que vir logo”, afirma.

20.8.06

A divulgação científica dos impactos ambientais: problemática ou catástrofe?

Para poder estrear no Roda de ciência tive que adequar o tema proposto (Ciência X Divulgação científica) na minha área de interesse. Achei legal, pois sempre quis falar sobre este assunto e nunca tive uma oportunidade, ainda mais por ser complexo e contraditório: o questionamento dos verdadeiros impactos ambientais.
A mídia me chama atenção sobre as notícias das catástrofes ambientais na Terra, tenho a impressão de um “telefone sem fio” jornalístico a respeito deste assunto. Principalmente as notícias que vêm parar aqui no Brasil, de fontes como Reuters, NYT e outros. Os jornalistas de ciência em geral têm tratado de forma catastrófica os temas ambientais, focalizando sempre os temas aquecimento global, camada de ozônio, furacões entre outros.
Talvez a quase ausência de riscos ambientais locais em alguns países desenvolvidos concentre esforços dos pesquisadores a estimar impactos globais catastróficos, o que no meu ver deve ter enfeitiçado a mídia internacional, por tratar de um assunto amplo e subjetivo.
A mídia insiste em focalizar os grandes impactos mundiais como o grande inimigo. Mesmo tendo no quintal de nossas casas, aqui no Brasil, riscos e passivos ambientais típicos de países de terceiro mundo como esgosto não tratado, erosões, indústrias super-poluidoras, populações viventes em áreas de riscos entre outros. O pior é a mente tecnocêntrica da mídia que acredita que o cientista sozinho um dia irá salvar o mundo, e não a união da sociedade civil organizada com a ajuda dos cientistas.
Não quero ser cético sobre a autenticidade dos grandes impactos ambientais, e sobre os males que o aquecimento global pode estar causando. Mas uma pergunta não quer calar: Será que existem mais pessoas morrendo pela ação dos impactos ambientais porque elas estão a morar cada vez mais perto das áreas de riscos?
Para terminar deixo uma frase da Revista Veja que resumi toda esta história:
Já começou a catástrofe causada pelo aquecimento global, que se esperava para daqui a trinta ou quarenta anos. A ciência não sabe como reverter seus efeitos. A saída para a geração que quase destruiu a espaçonave Terra é adaptar-se a furacões, secas, inundações e incêndios”.

Texto de Eduardo Galeano

Na minha última postagem citei uma frase de Eduardo Galeano retirada do texto Salva Vidas de Chumbo. Realmente este texto é muito bom, é a realidade ao extremo. Pena que poucas pessoas possuem esta percepção fora do comum.

18.8.06

Mais frases......

“Terras que produziam de tudo para o mercado local agora se consagram a um único produto para a demanda estrangeira.
Nós nos desenvolvemos para fora e nos esquecemos de dentro.
O mono-cultivo é uma prisão, sempre foi, e agora, com os transgênicos, é muito mais.
A diversidade, por sua vez, liberta.
A independência se reduz ao hino e à bandeira, se a soberania alimentar não é assentada. A autodeterminação começa pela boca.
Só a diversidade produtiva pode nos defender das súbitas despencadas de preços que são costume, mortífero costume, do mercado mundial”.

(Eduardo Galeano, Salva vidas de Chumbo – agosto de 2006)
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13.8.06

Enquanto isso no mundo real.....

Adoro entrar no site da Secretaria do Meio Ambiente de SP, muito informativo e complexo.
Como estou com o pulmão cheio de cinza de cana queimada, entrei neste site para verificar o que o nosso governo está fazendo para amenizar ou ajudar a gente, pobres mortais não-possuidores de latifúndios agrobussiness de cana. Bem, a situação é interesante. A queima foi proibida no fim de julho devido a baixissíma umidade relativa do ar, agora novamente a queima é liberada, porém em algumas cidades não. Estranho, porque tem cidades próximas com a mesma situação climática porém com leis diferentes. Aqui pode, mas aqui não pode? As cidades do circuito do fogo e cinza de Ribeirão Preto não podem queimar, mas cidadezinhas próximas, engolidas recentementes pela industrias alcooleiras, podem queimar a vontade.
O mais interessante é que tem um site da secretaria (SIGAM - Sistema Integrado de Gestão Ambiental - SMA/CPRN) que informa sobre a Eliminação Gradativa da Queima da Palha da Cana-de-Açúcar e dá diretrizes para uma queima com baixos impactos ambientais. Uma das diretrizes brilhantes é sobre os cuidados com a fauna na hora da queima, segue abaixo:

PROTEÇÃO DA FAUNA
medidas a serem adotadas
- realizar as queimadas de forma unidirecional visando permitir a fuga dos animais para áreas do entorno.

- realizar, preferencialmente, a queimada no sentido das áreas florestadas com intuito de direcionar a fauna às mesmas.

- Cabe salientar que é necessária a formação de aceiros para a proteção das áreas florestadas, conforme a lei 10.547/00 e a lei 11241/02, visando a preservação dos locais de fuga da fauna a ser impactada.
É triste pensar que mesmo o Brasil tendo potencialidades em outros setores temos que engolir a seco a atribuição dada ao Brasil de celeiro produtivo (que beneficia só a elite). Queimem o solo, adestrem a biodiversidade para facilitar sua fuga do fogo, exportem soja com gostinho de cerrado para as vacas européias, exportem álcool para os carros japoneses.....e assim a biodiversidade e brasileiros com cinzas nos pulmões agradecem... Viva a inovação tecnológica do agronegócio.

11.8.06

Frases do Dia

"Se os biólogos desejam conservar os trópicos, devem comprá-los com cuidado, energia, esforço, estratégia, tática, tempo e dinheiro"
Daniel Janzen, biólogo conservacionista norte americano, 1986

"O que importa nos trópicos é área, é metro quadrado, é hectare. Se a idéia é preservar, só há uma solução: cerca e polícia"
Paulo Emílio Vanzolini, em entrevista ao Jornal da Tarde em 28 de fevereiro de 1998.





Continua.....

7.8.06

VIII ENNECO

"Em sua 8º edição, o Encontro Nacional de Ecólogos busca discutir as bases de formação e a demanda deste profissional, atuação e demanda no mercado de trabalho. No bojo das comemorações do 30 anos do curso de graduação em Ecologia no Brasil, o ENECO modifica sua sigla para ENNECO, estabelencendo assim a sua identidade."

5.8.06

Receita de bolo – parte II (realidade brasileira)

Na receita de bolo - parte I - critiquei a abordagem conservacionista determinista que tenta explicar padrões complexos de maneira simplificada e cartesiana. Acho que é de consenso geral que a questão ambiental é complexa. Por isso, este assunto deve ser tratado de forma integrada e multidisciplinar. Pesquisas que enfocam esta problemática de maneira simples, culpando grupos humanos específicos pela destruição, no meu ponto de vista só servem para serem inseridos no Currículo Lattes e servirem de citação para outro trabalho semelhante. Trabalhos que tentam importar fórmulas prontas de conservação têm um apelo romântico e não se encaixam na realidade sócio-ecônomica brasileira.
Já critiquei muito, talvez deva também apontar algumas possíveis soluções ou diretrizes para verdadeira conservação de biomas brasileiros:


1- Falta pesquisa básica, como queremos aplicar nosso conhecimento em ações inovadoras se não conhecemos quase nada da biodiversidade brasileira. Identificação de novas espécies e mapas de distribuição geográficas dos organismos é essencial para o planejamento de ações de gestão ambiental.

2- Uma solução interessante é criação de um banco de dados, muita coisa já feita no Brasil, só que a informação se perde, muitos trabalhos são financiados para fazer a mesma tarefa que outro já fez. No estado de São Paulo este trabalho já é feito pelo Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA), mas ainda esbarra em burocracia e dificuldade de adquirir dados.

3- Todo município deveria ter um Sistema de Informação Geográfica (SIG) obrigatório no Plano diretor, isto não seria caro, muita coisa já está pronta em bases de dados do IBGE, NASA, USGS, etc... O programa Biota FAPESP fez em 2004 o levantamento florestal do Estado de São Paulo, muita desta informação não é usada, e é pouco aproveitada pelos municípios. Cada município deveria ter mais autonomia em relação a políticas ambientais, com este SIG, por exemplo, poderiam se inferir áreas de risco, porcentagem de reserva legal, áreas de proteção permanente que são bases primordiais para um planejamento ambiental.

4- Colocar na mesma mesa de reuniões opiniões extremas objetivando chegar a um lugar comum. Um esforço deve ser feito para que haja uma comunicação entre opostos seja efetivada. Preservacionistas, conservacionistas, sociedades tradicionais, tecnocratas e governo terão que encontrar um diálogo comum urgente.

5- Só depois de lesada por uma lei ou decreto a comunidade cientifica aparece para reivindicar; uma melhor participação dos cientistas na elaboração das leis poderia evitar estes problemas.

6- Enquanto não houver um planejamento territorial adequado (ver novamente 3), o crescimento desordenado das cidades, conurbações, especulação imobiliária, reivindicação de terras e desmatamento irão ocorrer. Nem mesmo uma fiscalização milagrosa pode encontrar todos os culpados sem um planejamento adequado.

7- Talvez uma solução a longo prazo para muitos políticos, a educação é fundamental para formação de jovens conscientes e para construção de uma massa crítica que um dia poderia tirar o Brasil deste coronelismo sem fim. A formação de analfabetos funcionais, venda de diplomas superiores e títulos de doutores é uma realidade grotesca. Outro problema é que a ciência é pouco divulgada, é importante a população saber os benefícios e avanços do mundo cientifico.

8- Importar fórmulas prontas de conservação no Brasil é ineficiente, conhecer a realidade social e econômica das regiões brasileiras é de vital importância para criação de ações conservacionistas. Ações egoístas e arrogantes para proteção de áreas naturais a qualquer custo, só faz crescer a insatisfação de populações locais. Queremos parques para elite usar seus equipamentos de montanhismo, trecking e de observação de aves; ou parques que garantam a conservação da biodiversidade e ao mesmo tempo funcionem com um espaço para o uso público.

9- Novas alternativas de produção verdadeiramente ecológicas devem ser financiadas e criadas pela iniciativa privada e estado. Será que selos verdes, ISO, certificadoras realmente funcionam? Quem certifica as empresas certificadoras? O álcool é uma boa alternativa? Mesmo empregando mão de obra escrava, acabando com os solos e entupindo nossos pulmões de cinza de cana.
10- Uma aplicação da lei que seja justa, culpando os verdadeiros criminosos ambientais do país e também ajudando a evitar erros e trapaças em licenciamentos e estudos de impactos ambientais.
Utopia? Talvez sim, porém não assumo que seja fácil. Com união e objetivos comuns, que é realmente salvar a biodiversidade, podemos começar a reverter este quadro.
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3.8.06

Exemplo receitinha de bolo

Devido a pedidos resolvi exemplificar a receita de bolo, primeiramente gostaria de deixar bem claro que não possuo nenhum conflito pessoal com os autores. As bibliografias são publicadas para receberem críticas positivas e negativas, fator essencial para o avanço da ciência.

1- Título criativo incriminando grupos humanos politicamente fracos e oprimidos: O impacto dos Guarani sobre Unidades de Conservação em São Paulo*.
* OLMOS, F. ; BERNARDO, C. S. S. ; Galetti, M. . O impacto dos Guarani sobre Unidades de Conservação em São Paulo. In: Ricardo, F. (Org.). Terras Indígenas e Unidades de Conservação da Natureza: o desafio das sobreposições. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2004, p. 246-261.


2- Introdução histórica e propagandística:
A Mata Atlântica já ocupou o equivalente a 1,35 milhões de km2, mas hoje é um dos biomas mais ameaçados e com a maior concentração de espécies em perigo por ter sido reduzida a 7,3% de sua extensão original (Fundação SOS Mata Atlântica & Inpe 2002). A maior parte das florestas existentes está em estágio inicial/médio de sucessão vegetal, ocupando áreas antes degradadas por desmatamentos ou poluição.”
Indigenistas têm frequentemente usado o argumento que a ocupação indígena contemporânea de UCs na região é “tradicional” devido à presença de sambaquis e testemunhos históricos da presença de grupos Tupi na região. Mas não há absolutamente evidência cultural, arqueológica, genética ou antropológica que ligue os povos sambaquieiros (extintos após a chegada dos Tupi e dos subgrupos Guarani entre 800 e 1.000 d.C.) aos grupos Guarani contemporâneos que reivindicam terras na Mata Atlântica paulista (Uchoa, 1982; Figuti 1999; Gaspar, 2000).

E porque não vender a idéia (notem a criação do vilão):
O território de algumas UCs paulistas apresenta sobreposição parcial ou total com terras ocupadas por grupos Guarani ao longo da faixa florestada das serras do Mar, Paranapiacaba e Itatins. Esta sobreposição é resultado de diferentes processos e constitui um dos maiores problemas para a conservação da biodiversidade no que é um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica no planeta.”
Há pouca esperança de que as UCs na Mata Atlântica ocupadas por “populações tradicionais” abrigarão sua biodiversidade original no futuro, já que a exploração comumente predatória dos recursos naturais (facilitada pela relativa imunidade legal dos índios e processos judiciais lentos) aliada ao crescimento populacional destas comunidades eventualmente terminará por deixar estes territórios tão modificados e empobrecidos como a maioria das terras que não dispõem de proteção integral”.

3- E os objetivos, bem retilíneo e simples,:
Ao contrário dos etno-pesquisadores, cientistas naturais como os biólogos formulam perguntas sobre o impacto humano à biota impactada, e não às populações impactantes, uma abordagem que busca estudar a realidade de forma menos subjetiva.”
Mas ainda assim a ciência continua humana...

Desta forma, o intuito dessa pesquisa foi determinar a abundância de mamíferos e aves de grande porte (medida em avistamentos a cada 10 Km) em cinco diferentes regiões do Parque. Com base nestes resultados foi verificado se a atividade de caça dos Guarani Mbyá e caiçaras (aqui medida como uma função da distância de suas vilas) influencia a abundância de mamíferos e aves de grande porte dessa UC de Proteção Integral. Espera-se que, se existe impacto, espécies mais vulneráveis à ação humana ocorram em maiores densidades em áreas mais afastadas das vilas, ou mesmo apenas aí. Se a presença humana não for negativa, este efeito não deverá ocorrer.”
*Mas qual é padrão de distribuição da fauna dentro da ilha ou até mesmo na região do vale do Ribeira? Qual o deslocamento e área de vida dos grupos de animais atingidos?

4- Resultados: A regra é test T, isto é, usar ánalise univariada para temas complexos.
“Encontramos uma correlação altamente significativa entre abundância de mamíferos cinegéticos e distância de habitações humanas no PEIC (r2=0,09; F=6,27; P=0,014), porém o mesmo não foi obtido para aves (r2=0,0003; F=0,02, P=0,86). Isso significa que quanto mais longe de uma vila maior a abundância de mamíferos cinegéticos, porém o mesmo não ocorre para aves.”
Pronto está provado, agora é só colocar uma CERCA.


5- Discussão: Agora é usado todo poder imaginativo....
O Parque Estadual Ilha do Cardoso pode ser considerado uma “floresta quase vazia” (Redford, 1992) devido à baixa abundância de espécies de aves e mamíferos cinegéticos”.
Agora um pouco de psicologismo.....
É uma demonstração de esquizofrenia social o fato dos índios do Peic possuírem auxílio de entidades e benefícios da sociedade envolvente, tais como cestas básicas distribuídas regularmente e aposentadorias pelo INSS (dificilmente formas tradicionais de subsistência), e ao mesmo tempo dilapidem o patrimônio natural do Peic através de suas atividades de caça sob o manto da “manutenção da cultura tradicional”. É bastante claro que as atividades dos índios são incompatíveis com as funções para as quais o Peic foi criado e para a perenidade de seus atributos”.

6- E para terminar:
Este processo de invasão, facilitado pela forma condescendente (para não dizer incentivo) com que parte do Judiciário trata os autores, é uma das maiores ameaças à sobrevivência das Unidades de Conservação na Mata Atlântica, pois vitima exatamente as áreas que deveriam estar seguras do impacto antrópico e serem testemunho de como ecossistemas funcionam e são ricos quando livres da exploração humana. Apoiar demandas de “povos tradicionais” não implica necessariamente em conservação de ecossistemas e da biodiversidade. Entidades indigenistas e seus simpatizantes no Ministério Público precisam abandonar a visão de que é possível o retorno dos povos indígenas à forma de vida que pertence a um passado idealizado que nunca foi idílico. Devemos voltar nossa visão para como será o futuro. Da mesma forma como deploramos hoje o que nossos ancestrais fizeram com nosso meio ambiente e como construíram nossa sociedade desigual, nossos descendentes nos culparão se sacrificarmos desnecessariamente áreas naturais preciosas pela messiânica busca de “terras sem males” e numa mal direcionada tentativa de compensação aos índios pelos atos cometidos no passado.”

Será que é isto que o Brasil precisa no Futuro? Aumento da exclusão social, cegueira contra a verdadeira realidade social do país, muros e cercas, políticas somente para elites, arrogância cientifica, brigas entre indigenistas e conservacionistas. Acho que humildade é que nos falta.
Para ver texto completo clique no link:
http://ns.rc.unesp.br/ib/ecologia/fenologia/Papers/Olmos,%20Bernardo%20&%20Galetti.pdf




30.7.06

Receita de bolo – parte I

Acho muito interessante aqueles artigos científicos que tratam o problema da conservação da natureza aqui no Brasil de forma simplista. Aqueles tais artigos que trazem uma solução mágica e fácil de conservação nos trópicos. Quase todos eles feitos por estrangeiros ou não seguem um mesmo padrão: a falta de experiência em áreas da sociologia e vivência cotidiana de um país dito do terceiro mundo. Quase sempre impondo um modelo desajustado com a política e a realidade local.
Faça um você também, comece assim:
1- Crie um Título criativo com o uso de aposto, do tipo “Esvaziaram a floresta: um caso de defaunação da Mata Atlântica provacada por caiçaras”. Lembrem-se, os dois pontos são importantíssimos.
2- Invente um vilão, neste caso escolha grupos humanos politicamente fracos e oprimidos pela sociedade, você sabe é menos dor de cabeça. Jamais culpe a elite.
3- Faça uma introdução histórica e sem citações, e lógico com uma boa justificativa, é para vender melhor a idéia. Incrimine seu vilão.
4- Nos objetivos ressalte que você vai medir e provar o impacto causado por seu vilão, bem retilíneo e simples.
5- Nas metodologias evite análises multivariadas, use testes T e Qui-quadrados. A temática não é complexa mesmo, convence mais explicar os problemas de forma cartesiana.
6- Nos resultados, não quero saber, o P tem que ser menor que 0,05, isto é significativo, e pronto está provado. Faça gráficos difíceis de entender, use os resíduos da regressão.
7- Discuta reforçando sua introdução do tipo “malha Judas”, e para terminar, um gran finale. Agora use todo seu poder imaginativo, apele para psicologia e com doses de sarcasmos coloque sua conclusão como “última alternativa senão...”.
8- Agradeça seu patrocinador que cedeu aquele super aparelho tecnológico que mediu aquela variável incrivelmente.
9- Passe para o Inglês e publique num periódico famoso estrangeiro, depois coloque a citação no Lattes, incremente seu currículo.
10- Use seu artigo como justificativa para conseguir um financiamento para resolver o problema indicado no texto. E lembre-se quanto mais catastrófico mais chance de ganhar a grana.

A Mata Atlântica precisa de ajuda rápido, invente uma idéia simples você também.

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29.7.06

Governo proíbe queimada de cana



Por Daniele Zebini, da Agência Autoinforme - A estiagem e a baixa unidade relativa do ar levaram o secretário do Meio Ambiente do Estado, José Goldemberg, a assinar nesta quarta-feira (26) um decreto que proíbe temporariamente a queima da palha da cana-de-açúcar emlavouras paulistas. A medida está prevista no artigo 14 do decreto nº 47.700, de 11 de março de 2003, que determina a suspensão da queima quando a qualidade do ar oferece riscos à saúde humana, danos ambientais ou condições meteorológicas desfavoráveis. Na quarta, o índice de umidade relativa do ar de São Paulo ficou em 25%, o menor desde 2000. No interior do Estado, a situação é ainda mais preocupante. Em diversos pontos, medições extra-oficiais apontaram umidadedo ar de apenas 15%. Números inferiores a 20% podem trazer riscos à saúde, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde). O promotor do meio ambiente da região de Catanduva, um importante pólo alcooleiro, José Carlos Rodrigues, comemora a iniciativa do governo. "A suspensão da queima mostra uma maior sensibilidade do governo para o problema. A medida pode até aumentar o preço do álcool, mas a população ficará no lucro, já que vai gastar menos com a saúde e com a limpeza de suas casas", afirma. A suspensão da queima da cana, no entanto, é temporária, só terá validade até que as condições meteorológicas se normalizem com a volta das chuvas. Na opinião de José Carlos Rodrigues, a queimada é irregular e deveria ser proibida definitivamente. "A suspensão já é um começo, mas não é a solução. O governo deveria fazer avaliações pontuais nas áreas atingidas pelas queimadas e não esperar o Estado todo ficar alerta para agir", diz. A Unica – União da Agroindústria Canavieira de São Paulo – ainda não se pronunciou sobre os prejuízos que a suspensão pode trazer para o setor e que medidas serão tomadas daqui para frente. A assessoria de imprensa divulgou apenas a seguinte nota: "As condições climáticas desfavoráveis que atingem todo o Estado de São Paulo forçam uma situação que preocupa as autoridades públicas e o setor produtivo. Desta forma, a Unica pretende estar empermanente contato com os órgãos ambientais para acompanhar o quadro". (Envolverde/AutoInforme)
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Para saber mais sobre queimadas e poluição atmosférica, visite os sites abaixo:
Inpe Monitoramento de Queimadas - http://www.cptec.inpe.br/queimadas/
Mapa das queimadas no mundo disponível em tempo quase real - http://dup.esrin.esa.it/ionia/wfa/index.asp
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25.7.06

Amargo Regresso

Por Agência FAPESP - A arqueóloga Niéde Guidon está irredutível. Sem os R$ 400 mil mensais para a manutenção do Parque Nacional da Serra da Capivara ela larga tudo e, no fim do ano, vai embora para a França. A pesquisadora dedica-se à região há mais de 30 anos.

22.7.06

Desmatamento e poluição seguem o rastro do agronegócio

"O agronegócio avança na trilha do desmatamento e da superexploração do meio ambiente. No lugar da floresta, grandes pastos para receber gado, lavouras de soja e algodão. E o que restou de árvores que alimentaram madeireiras e carvoarias ou que serviram de insumo para a construção civil das grandes cidades. Esse é o alto preço que paga o país por apostar na grande propriedade rural como alavanca para o desenvolvimento econômico. As ameaças ao Pantanal, Cerrado e Amazônia são apenas a face mais conhecida da destruição ambiental provocada também por grandes projetos de infra-estrutura que obedecem às demandas da indústria e da agricultura exportadora..."

Mais um texto interessante sobre a agronegócio x biodiversidade, clique aqui para ler

20.7.06

Ponto de Vista

Ciências Ambientais e Conservação dos Meios Naturais: Considerações sobre Complexidade e o Neotrópico
Felipe Andueza Paullelli*
João G. R. Giovanelli
A humanidade é constituída por inúmeras formas de organização social e distintas são as maneiras das sociedades humanas se relacionarem com seu entorno natural. O trabalho dos recursos e a gradual modificação de seus meios acabam por promover impactos que diferem tanto entre si quanto suas respectivas culturas.
Muitas dessas relações se dão de maneira conturbada e, por não dizer, predatória. Fato que originou, desde muito, preocupações sobre como devemos tratar do meio que nos sustenta. Entretanto, a onda social de reivindicações nas décadas de sessenta e setenta clamou por atenção aos grandes impactos que as sociedades industrializadas promoviam não só em seus meios, mas também em outras regiões do globo.
A partir de então, pode-se dizer que, as ciências ambientais foram impulsionadas por um volume muito maior de financiamentos, muitos estudantes e cientistas passaram a interessar-se pelo assunto, calorosas discussões científicas e políticas catalisadas pelos meios de comunicação a construir, desconstruir e, por vezes, inventar problemas ambientais.
A discordância científica acerca das questões ambientais é tamanha devido, em meio a interesses dos mais distintos matizes, à sua complexidade impressionante. Assim emergiram inúmeras “escolas”: conservacionismo, preservacionismo, ecologismo social, ecologia profunda, etc. Todas parecem alinhadas, salvo incoerências de discurso e prática à parte, em seu objetivo maior: conservar os meios naturais que nos sustentam.
E quais são as ciências ambientais? A Ecologia, a Biologia, a Geografia, a Geologia, a Química, a Agronomia e seus respectivos desdobramentos e ainda algumas outras que se propuseram a estudar o meio ambiente como a Engenharia, a Pedagogia, a Antropologia e a Sociologia. Talvez haja outras ciências que agreguem cientistas preocupados com o meio ambiente, mas a grande maioria dos ditos profissionais ambientais encontra-se nas descritas acima.
Um dos poucos pontos pacíficos sobre as questões ambientais é sobre sua complexidade. Sim, são complexas. Sim, devemos mensurar o impacto para então tratá-lo e prevenir os futuros... Será? Mensurar o quê? Taxas de desflorestamento? Extinção de dispersores de semente? Porcentagem de animais silvestres na alimentação indígena? Manchas de óleo na área costeira? Poluição no aqüífero Guarani? Letalidade de inseticidas em polinizadores? Influência protestantista na escola preservacionista? Taxa de reprodução de minhocas numa horta? Quantidade anual de carbono queimada por um carro? ...
E assim, a ciência avança, com cada qual medindo suas variáveis, trabalhando com seus modelos matemáticos ou com teorias sociológicas para explicar o que se quer explicar. É óbvio que todas essas dimensões da complexidade ambiental devem ser estudadas, o que falta a elas é integração. Sim, as pesquisas deveriam ser integradas se o objetivo primeiro é realmente conservar a natureza.
O que essa esquizofrenia científica sobre as questões ambientais indica? Essa realidade nos diz que as discussões sobre o assunto dificilmente passam de um embate de egos inflamados. Os conflitos científicos ambientais deveriam servir de pontos para se partir a um entendimento transdisciplinar, à construção de conhecimentos que nos permitem realmente agir em prol de uma conservação dos meios naturais.
E isso é realmente um desafio a qualquer grupo humano: a comunicação. E, enquanto esta não se efetiva, alguns dizem que o que ameaça a biodiversidade são os índios por que o teste T-student assim indicou, enquanto outros que a conservação dos meios naturais depende do apoio de populações locais, outros dirão que precisamos de maior conexão espiritual com a natureza... E assim nossa sociedade civil-falante, industrializada, pós-moderna, tecnocrata, burocrata, preocupada, amante e defensora das coisas naturais continua a explorar minérios, queimar toneladas de petróleo e avançar com cana, gado, soja sobre nossas florestas.
Então que tipo de abordagem conservacionista é adequado para países “megabiodiversos”, como o Brasil? Talvez aquela que aposte na busca na integração de análises políticas, sociais e ecológicas das questões ambientais brasileiras. Assim se poderá mapear os fatores políticos estruturais que influenciam e, não raro, determinam tal crise.
Um primeiro passo seria romper com modelos estrangeiros, que possuem uma visão limitada e romântica da natureza, uma natureza sem o homem, seja ele índio, caiçara ou paulistano. Esse é o maior erro de metodologia nas ciências ambientais: idealizar um meio natural sem presença humana a ser conservado.
Devemos romper com a idéia de conservação atrás da cerca a qualquer custo, e de que qualquer sociedade humana é igualmente predadora e maligna à manutenção e evolução da vida. Devemos desacreditar de artigos pseudo-científicos sobre a “salvação das Matas Brasileiras” em periódicos estrangeiros, que provam com o teste Quiquadrado que onças vivem melhor longe de indígenas, e prometem salvar nossos biomas da destruição. Por quê? Essas posturas atravancam a comunicação entre as distintas dimensões de um conflito ambiental.
Enquanto não houver uma busca por construção de conhecimento e prática entre a ciência, a população e poder público, com o intuito de criar políticas ambientais elaboradas em conjunto, e não pensarmos e discutirmos quais são os riscos ambientais que atingem verdadeiramente nosso país, as ações conservacionistas talvez funcionem apenas como recursos midiáticos para conseguir um financiamento para um e outro projeto... E continuam a não construir nada que efetivamente faça nossa sociedade mais inteligente no tato e relação com o meio que a fez possível e que a sustenta.
Ainda que as estatísticas atuais sobre a rápida degradação ambiental possam ser questionadas, sabemos que as questões ambientais urgem de tratamento adequado. E nós, como profissionais e pessoas que se preocupam com o ambiente, convidamos a todos a discutirem essas idéias aqui.
Abandonemos nossos egos e tentemos construir outra prática de conversa científica. Enquanto não unirmos opiniões extremas e focarmos na melhora de nossas relações com o meio natural, levando-se em conta nossa peculiar realidade social, não teremos, ainda que com financiamento, testes estatísticos, cadernos à prova d’água e cercas, como reverter essa situação.
* E-mail do autor: felipeandueza@gmail.com
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Representação da biodiversidade

Os pesquisadores de vários países criaram o International Mechanism of Scientific Expertise on Biodiversity (Imoseb), para o estabelecimento de um organismo internacional de especialistas em biodiversidade. Para os proponentes do novo organismo, a hora é de ação. Segundo eles, não se pode perder mais tempo, tendo em vista o cenário de “grande crise de biodiversidade” vivido pelo planeta. O momento também exige união entre especialistas na área em todo o mundo.
“Precisamos da diversidade de opiniões e de abordagens, mas também necessitamos de unidade por trás desse esforço coletivo, de modo a falar uma única voz globalmente ao reconhecer assuntos importantes e como eles podem ser mais bem direcionados”, disse um dos pesquisadores. “Conclamamos todos os cientistas interessados na ciência da biodiversidade para que se envolvam e busquem a participação de seus governos nesse processo de consulta”, escreveram os proponentes (fonte: agência FAPESP).
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Espero que este tipo de proposta seja a chance de países megadiversos como Brasil, também conhecido como "neotropicais", levante os verdadeiros problemas e busque as reais soluções desta crise ambiental. Uma pergunta interessante seria: que tipo de projeto conservação que o Brasil necessita? Aquele que culpa os grupos humanos pela catástrofe ambiental? Um projeto inovador cujo resultado é publicado somente em periódicos estrangeiros? Ou um projeto que se adeque a verdadeira realidade sócio-ambiental do país, com medidas que mudem de forma estrutural problemas como: falta de planejamento urbano, políticas ineficazes, conclaves corruptos, analfabetismo, desconhecimento de legislação ambiental, sub-emprego, projetos conservacionistas com o foco somente na mídia.
São muitos os problemas estruturais que os países do "neotrópico" detém juntamente com sua biodiversidade. Talvez somente com união de opiniões extremas e com um foco na realidade social do país poderemos começar a reverter a situação.

16.7.06

Guias Sonoros de Anuros

Várias pessoas me perguntam se existem muitos Guias Sonoros de Anuros publicados, estou fazendo uma busca por várias fonotecas e já encontrei muita coisa. Nos Estados Unidos tem guia sonoro de sapo da década de 70, e nossos hermanos argentinos já possuem este tipo de publicação desde a década de 80. Mostro abaixo a capa de alguns guias já publicados, quem tiver interesse no assunto visite a Fonoteca de Londres e de Madri.
Logo publicarei aqui uma lista de guia sonoros publicados no Brasil e no exterior.

13.7.06

Fogo na UNESP - Rio Claro


Como quase todo ano, novamente a parte dos fundos da UNESP - Rio Claro pegou fogo. Não há evidências do que tenha o provocado, mas como o mato estava muito seco facilitou a queimada quase que total do terreno. Boatos evidenciam que a causa do fogo por ter sido a queima de um amontoado de lixo que estava jogado neste terreno. Projetos de vários alunos, como uma agrofloresta, podem ter sido prejudicados.
Logo abaixo fotos do local: