13.9.06

Bóia-Fria: o mesmo assunto outra vez...

Não consigo parar de escrever e pensar sobre este assunto, talvez por razões óbvias ou por escutar todo dia algo novo sobre este tema pouco debatido pela sociedade: os impactos sociais e ambientais da produção de álcool no Estado de São Paulo. Segue uma nova notícia sobre este assunto.


230 bóias-frias mantidos em condição subumana em SP
Duzentos e trinta cortadores de cana foram encontrados vivendo e trabalhando em precárias condições em Pederneiras, Mineiros do Tietê e Dois Córregos. Os fiscais constataram a superlotação dos alojamentos, más condições de transporte, pagamento de remuneração abaixo do previsto no contrato coletivo de trabalho e a falta de equipamentos de proteção individual, de banheiros e até da água que o empregador tem obrigação de fornecer.
Na Fazenda Aguinha, dos empresários Airton Antonio Daré e Jair Orvaldo Daré, em Pederneiras, as equipes do Grupo de Fiscalização Rural, constituído pelo Ministério do Trabalho e Emprego e Ministério Público do Trabalho, encontraram 111 pessoas morando em 17 casas, sem a divisão por famílias e em condições de higiene e segurança precárias. Os cômodos tinham camas beliche para abrigar maior número de moradores, cujos alimentos, botijões de gás e pertences pessoais estavam misturados sobre as camas e pelo chão.
Os trabalhadores disseram que não pagam diretamente pelo aluguel das casas, mas têm parte da cana cortada descontada para esse pagamento. Também reclamaram que em vez dos R$ 0,25 por metro cortado, estabelecido na convenção regional de trabalho, vêm recebendo apenas R$ 0,11 o metro. Outra irregularidade é o transporte das ferramentas no mesmo compartimento dos trabalhadores, um procedimento proibido há muitos anos por razões de segurança.
Irregularidades parecidas foram encontradas junto a 120 cortadores que atuam para empreiteiras do Grupo Atalla, em Mineiros do Tietê e Dois Córregos. Nesta quarta-feira, o procurador Luiz Henrique Rafael reuniu-se com representantes da Fazenda Aguinha, que assumiram compromissos de solução imediata dos problemas.
Na próxima sexta-feira, deverá ocorrer uma reunião com todos os empregadores fiscalizados para a elaboração de em termo de ajustamento. Os que não apresentarem solução terão o trabalho interditado e receberão multas. O coordenador do grupo de fiscalização, Roberto Martins Figueiredo, disse que está encontrando no corte de cana da região de Bauru uma das piores situações de todo Estado.
Semi-escravidão
Nos últimos anos, as usinas de açúcar e álcool terceirizaram os trabalhos de safra e os empreiteiros buscam mão-de-obra em Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Ceará e outros Estados. Esses trabalhadores costumeiramente são mal acomodados e explorados. No mês passado denúncias levaram a fiscalizações em Agudos e Pederneiras, onde cortadores eram mantidos em semi-escravidão. As empresas foram autuadas, pagaram os direitos trabalhistas e mandaram de volta 48 trabalhadores para os Estados da Bahia e Maranhão.
Os procuradores Luiz Henrique Rafael e José Fernando Maturana não descartam a possibilidade de, além das providências imediatas, promoverem ações em busca da responsabilidade dos empregadores, dos agenciadores de mão-de-obra, conhecidos como "gatos" e das próprias usinas e destilarias que recebem a cana cortada através do pacto trabalhista irregular ou descumprido.
*Fonte: www.ecodebate.com.br - matéria originalmente publicado no estadao.com.br - 13 de setembro de 2006 - 18:58

3 comentários:

Anônimo disse...

Bom dia!

Primeiramente, gostaria de parabeniza-los pelo conteúdo do site.

Meu nome é Jéssica Amaral, sou responsável pela área de links do site (www.maplink.com.br) e tenho interesse em incluir um link no site. Caso haja interesse, por favor informe o endereço eletrônico do responsável pela área comercial/marketing.

No aguardo, agradeco desde já.

Atenciosamente.

Jéssica Amaral
Maplink - área de links
Fone: +55(41) 3356-5683 - ramal 211
email: jessica@maplink.com.br - www.maplink.com.br

João Carlos disse...

Curioso observar que, para produzir um combustível "ecológicamente correto" se empreguem processos "políticamente incorretos" (o termo correto é impublicável, mas "abjeto" é um bom sucedâneo).

O que eu sempre me pergunto é: "qual é a necessidade de acontecer isso?" Estamos em 2006, e a mentalidade de "Senhor de Engenho" continua mais viva do que nunca (só que o "Senhor de Engenho" agora tem um corretor na Bolsa de Mercadorias e Futuros que fala com ele pela Internet).

Quoseque tandem!...

Tatiane disse...

Olá,
sou estudante de jornalismo, e estou efetuando uma materia sobre a vida dos cortadores de cana, esta foto postada no seu blogger me causou grande interesse devido a dificuldade que tive para fotografar, gostaria de saber se a foto é de sua autoria? e casa seja se existiria a possibilidade de uma publicação em um projeto editorial que estou realizando na faculdade.

Ficarei ao aguardo de um retorno seu o mais breve possivel, sou grata desde já pela atenção.

Seu blogger relata temas que muitas vezes não atraem a atenção de todos mas da forma que são postados sem duvida torna-se muito mais atraentes, parabéns!

meu email é: taty.silva@ig.com.br