Pular para o conteúdo principal

Impasse até o fim


Por Eduardo Geraque, de Curitiba

A Oitava Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 8), em Curitiba, termina nesta sexta-feira (31/3). Os impasses não. E após terem resistido a duas semanas de reuniões, dão sinais de que continuarão sem solução à vista.

Entre os principais assuntos debatidos na COP – nos últimos dias até a madrugada – está a criação de um regime de acesso genético e de repartição de benefícios que proteja o patrimônio natural contra a biopirataria. Aqui, a divisão que se viu é velha conhecida.

De um lado, o Brasil e os outros 16 países megadiversos, como África do Sul, China, Índia, Indonésia e México, que defendem a adoção, até a próxima COP, em 2008, na Alemanha, do tal regime. De outro, nações mais ricas, como Austrália, Canadá, Japão, Nova Zelândia, que tentam adiar o processo, de preferência por muito tempo – em tempo, os Estados Unidos nem são signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), resultado da Rio-92.

Em grandes conferências, como a COP, números de extinção em massa não param de ser repetidos, mas esses, da mesma forma que os discursos pedindo por ações concretas, parecem não influenciar o ritmo lento das negociações e das trocas de opiniões. Mas, segundo alguns especialistas, a lentidão não é necessariamente um mau sinal.

“Costumo dizer que é muito melhor um acordo multilateral ruim do que um bilateral bom, pois é importante que exista sempre o consenso”, afirma Wagner Ribeiro da Costa, geógrafo da Universidade de São Paulo, à Agência FAPESP. O problema é que o aceite de todos os países que ratificaram a CDB pode demorar muitos anos, e um sem fim de reuniões internacionais como a COP.

Os mais otimistas acreditam em conquistas imediatas. “Acredito que teremos, na COP 8, avanços significativos entre os principais temas, como é o caso do acesso genético e da repartição de benefícios”, disse Marina Silva, ministra do Meio Ambiente.

Se Marina e os delegados brasileiros querem puxar a corda para que tudo seja resolvido até 2008, os países contrários fazem um jogo de linguagem para não parecer que defendem o livre acesso aos recursos genéticos. E tentam fazer com que as regras sejam as mais simples possíveis e deixar o fator tempo em suspenso.

Mais informações sobre a COP 8: www.biodiv.org e www.cdb.gov.br

Agência FAPESP

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Publicações - Áreas Especialmente Protegidas do Estado de SP: Coletânea de Leis

Áreas Especialmente Protegidas do Estado de SP: Coletânea de Leis é dividida em três grandes temas, a publicação contempla as Unidades de Conservação de Proteção Integral, que incluem estações ecológicas, reservas biológicas, parques, monumentos naturais e refúgios da vida silvestre; as Unidades de Conservação de Uso Sustentável, com as áreas de proteção ambiental, áreas de relevante interesse ecológico, as reservas extrativistas e particulares do patrimônio natural e as florestas nacionais; e os Espaços Territoriais Protegidos, com as áreas de proteção dos mananciais, o gerenciamento costeiro, as áreas naturais tombadas, as áreas sob proteção especial, além dos parques ecológicos, hortos florestais, estações experimentais, viveiros florestais e terras indígenas. A publicação inclui, ainda, mapas, memorial descritivo e coordenadas geográficas, além de relacionar os atributos protegidos, a indicação das bacias hidrográficas e os municípios nos quais as áreas se encontram, assim como f...

Publicação: Roteiro para criação de Unidades de Conservação Municipais

Baixar arquivo

Porque o café sombreado não garante a conservação da biodiversidade: um estudo de caso na região do Chiapas, México

Recentemente o periódico Ecology and Society publicou um artigo interessante sobre a situação dos plantios de cafés sombreados na região do Chiapas, México. O artigo relata que com o aumento do preço dos cafés sustentáveis ao longo dos anos de 1991 a 2001, houve um aumento da conversão de áreas de florestas primárias em culturas de cafés sombredos. O que na visão dos autores é um paradoxo de sustentabilidade, pois a fisionomia de café sombreado possui menor riqueza de espécies do que as florestas primárias da região. Na minha opinião acho que este artigo ressalta a importância de questões como dinâmica do uso do solo deve ser levada em consideração nos critérios de certificação ambiental. Mas esta situação mostra também que o Brasil possui um imenso potencial para café sombreados ecológicos, principalmente na Mata Atlântica de MG e SP, em cultivo consorciado com plantios de nativa em áreas de recuperação ambiental. Assim, a tendência seria outra, aumento do café sombreado e aume...