7.7.06

Aliança pela sobrevivência dos anfíbios


Agência FAPESP - O conjunto de informações reunido nos últimos anos é extenso e preocupante. Para piorar, em qualquer que seja o continente enfocado, sempre existe um exemplo que aumenta a dramaticidade do cenário. O resultado é que a maioria dos pesquisadores da área não tem dúvida em afirmar: os anfíbios estão desaparecendo.
De todas as 5.743 espécies de anfíbios conhecidas, 32,5% estão sob ameaça. E quase uma centena teria desaparecido desde 1980. Como os focos dos problemas são muitos – e as causas também, como aquecimento global, desmatamento, epidemias de fungos –, desde o ano passado está sendo traçado um plano mundial de ação para salvar os anfíbios. Com um artigo publicado nesta sexta-feira (7/7), na revista Science, a iniciativa ganha maior visibilidade.
No texto, 48 pesquisadores assinam a idéia para criação da Aliança pela Sobrevivência dos Anfíbios (ASA), entre os quais Hélio Ribeiro da Silva, do Departamento de Biologia Animal da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. O principal autor da iniciativa é Joseph Mandelson, do Zoológico de Atlanta, nos Estados Unidos.
“A intenção do programa é assegurar que todas as nações afetadas por esse terrível problema tenham os meios necessários para o desenvolvimento de tecnologia e recursos humanos, além de suporte financeiro para a implantação das ações de conservação dos anfíbios em suas próprias regiões”, disse Mandelson à Agência FAPESP.
Segundo o pesquisador, a rede global será coordenada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), uma das principais instituições voltadas para o meio ambiente no mundo. “Nossa estimativa é que o projeto exigirá um orçamento de US$ 400 milhões para os próximos cinco anos”, disse.
Quando a ASA estiver totalmente implementada, terá ações em várias áreas. A principal será de cunho científico. Com a ligação de vários bancos de dados sobre a situação dos anfíbios no mundo, os organizadores da aliança esperam ter um quadro abrangente da situação de todos os grupos, sejam rãs, sapos, pererecas, salamandras e assim por diante. “Mas vamos também trabalhar para que, quando necessário, políticas públicas sejam alteradas”, disse Mandelson.
Segundo o pesquisador, uma das redes que servirão de modelo para a ASA é a Aliança pela Sobrevivência das Tartarugas, também administrada pela IUCN. Nesse exemplo, os recursos financeiros para pesquisa e proteção em geral do grupo de répteis são obtidos com a capacitação entre indivíduos, empresas privadas e governos interessados em apoiar a iniciativa. “Precisamos do apoio de todos os grupos da sociedade”, afirma Mandelson.
Mais informações: http://www.sciencemag.org=/
*Obs: Este tema é extremamente controverso por isso é necessário um maior aprofundamento, o blog http://cienciaeideias.blogspot.com publicou muita coisa interessante com diversos pontos de vista. Logo publicarei um texto sobre o impacto destes "programas de conservação" em países como o Brasil.

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