30.7.06

Receita de bolo – parte I

Acho muito interessante aqueles artigos científicos que tratam o problema da conservação da natureza aqui no Brasil de forma simplista. Aqueles tais artigos que trazem uma solução mágica e fácil de conservação nos trópicos. Quase todos eles feitos por estrangeiros ou não seguem um mesmo padrão: a falta de experiência em áreas da sociologia e vivência cotidiana de um país dito do terceiro mundo. Quase sempre impondo um modelo desajustado com a política e a realidade local.
Faça um você também, comece assim:
1- Crie um Título criativo com o uso de aposto, do tipo “Esvaziaram a floresta: um caso de defaunação da Mata Atlântica provacada por caiçaras”. Lembrem-se, os dois pontos são importantíssimos.
2- Invente um vilão, neste caso escolha grupos humanos politicamente fracos e oprimidos pela sociedade, você sabe é menos dor de cabeça. Jamais culpe a elite.
3- Faça uma introdução histórica e sem citações, e lógico com uma boa justificativa, é para vender melhor a idéia. Incrimine seu vilão.
4- Nos objetivos ressalte que você vai medir e provar o impacto causado por seu vilão, bem retilíneo e simples.
5- Nas metodologias evite análises multivariadas, use testes T e Qui-quadrados. A temática não é complexa mesmo, convence mais explicar os problemas de forma cartesiana.
6- Nos resultados, não quero saber, o P tem que ser menor que 0,05, isto é significativo, e pronto está provado. Faça gráficos difíceis de entender, use os resíduos da regressão.
7- Discuta reforçando sua introdução do tipo “malha Judas”, e para terminar, um gran finale. Agora use todo seu poder imaginativo, apele para psicologia e com doses de sarcasmos coloque sua conclusão como “última alternativa senão...”.
8- Agradeça seu patrocinador que cedeu aquele super aparelho tecnológico que mediu aquela variável incrivelmente.
9- Passe para o Inglês e publique num periódico famoso estrangeiro, depois coloque a citação no Lattes, incremente seu currículo.
10- Use seu artigo como justificativa para conseguir um financiamento para resolver o problema indicado no texto. E lembre-se quanto mais catastrófico mais chance de ganhar a grana.

A Mata Atlântica precisa de ajuda rápido, invente uma idéia simples você também.

***


29.7.06

Governo proíbe queimada de cana



Por Daniele Zebini, da Agência Autoinforme - A estiagem e a baixa unidade relativa do ar levaram o secretário do Meio Ambiente do Estado, José Goldemberg, a assinar nesta quarta-feira (26) um decreto que proíbe temporariamente a queima da palha da cana-de-açúcar emlavouras paulistas. A medida está prevista no artigo 14 do decreto nº 47.700, de 11 de março de 2003, que determina a suspensão da queima quando a qualidade do ar oferece riscos à saúde humana, danos ambientais ou condições meteorológicas desfavoráveis. Na quarta, o índice de umidade relativa do ar de São Paulo ficou em 25%, o menor desde 2000. No interior do Estado, a situação é ainda mais preocupante. Em diversos pontos, medições extra-oficiais apontaram umidadedo ar de apenas 15%. Números inferiores a 20% podem trazer riscos à saúde, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde). O promotor do meio ambiente da região de Catanduva, um importante pólo alcooleiro, José Carlos Rodrigues, comemora a iniciativa do governo. "A suspensão da queima mostra uma maior sensibilidade do governo para o problema. A medida pode até aumentar o preço do álcool, mas a população ficará no lucro, já que vai gastar menos com a saúde e com a limpeza de suas casas", afirma. A suspensão da queima da cana, no entanto, é temporária, só terá validade até que as condições meteorológicas se normalizem com a volta das chuvas. Na opinião de José Carlos Rodrigues, a queimada é irregular e deveria ser proibida definitivamente. "A suspensão já é um começo, mas não é a solução. O governo deveria fazer avaliações pontuais nas áreas atingidas pelas queimadas e não esperar o Estado todo ficar alerta para agir", diz. A Unica – União da Agroindústria Canavieira de São Paulo – ainda não se pronunciou sobre os prejuízos que a suspensão pode trazer para o setor e que medidas serão tomadas daqui para frente. A assessoria de imprensa divulgou apenas a seguinte nota: "As condições climáticas desfavoráveis que atingem todo o Estado de São Paulo forçam uma situação que preocupa as autoridades públicas e o setor produtivo. Desta forma, a Unica pretende estar empermanente contato com os órgãos ambientais para acompanhar o quadro". (Envolverde/AutoInforme)
***
Para saber mais sobre queimadas e poluição atmosférica, visite os sites abaixo:
Inpe Monitoramento de Queimadas - http://www.cptec.inpe.br/queimadas/
Mapa das queimadas no mundo disponível em tempo quase real - http://dup.esrin.esa.it/ionia/wfa/index.asp
***

25.7.06

Amargo Regresso

Por Agência FAPESP - A arqueóloga Niéde Guidon está irredutível. Sem os R$ 400 mil mensais para a manutenção do Parque Nacional da Serra da Capivara ela larga tudo e, no fim do ano, vai embora para a França. A pesquisadora dedica-se à região há mais de 30 anos.

22.7.06

Desmatamento e poluição seguem o rastro do agronegócio

"O agronegócio avança na trilha do desmatamento e da superexploração do meio ambiente. No lugar da floresta, grandes pastos para receber gado, lavouras de soja e algodão. E o que restou de árvores que alimentaram madeireiras e carvoarias ou que serviram de insumo para a construção civil das grandes cidades. Esse é o alto preço que paga o país por apostar na grande propriedade rural como alavanca para o desenvolvimento econômico. As ameaças ao Pantanal, Cerrado e Amazônia são apenas a face mais conhecida da destruição ambiental provocada também por grandes projetos de infra-estrutura que obedecem às demandas da indústria e da agricultura exportadora..."

Mais um texto interessante sobre a agronegócio x biodiversidade, clique aqui para ler

20.7.06

Ponto de Vista

Ciências Ambientais e Conservação dos Meios Naturais: Considerações sobre Complexidade e o Neotrópico
Felipe Andueza Paullelli*
João G. R. Giovanelli
A humanidade é constituída por inúmeras formas de organização social e distintas são as maneiras das sociedades humanas se relacionarem com seu entorno natural. O trabalho dos recursos e a gradual modificação de seus meios acabam por promover impactos que diferem tanto entre si quanto suas respectivas culturas.
Muitas dessas relações se dão de maneira conturbada e, por não dizer, predatória. Fato que originou, desde muito, preocupações sobre como devemos tratar do meio que nos sustenta. Entretanto, a onda social de reivindicações nas décadas de sessenta e setenta clamou por atenção aos grandes impactos que as sociedades industrializadas promoviam não só em seus meios, mas também em outras regiões do globo.
A partir de então, pode-se dizer que, as ciências ambientais foram impulsionadas por um volume muito maior de financiamentos, muitos estudantes e cientistas passaram a interessar-se pelo assunto, calorosas discussões científicas e políticas catalisadas pelos meios de comunicação a construir, desconstruir e, por vezes, inventar problemas ambientais.
A discordância científica acerca das questões ambientais é tamanha devido, em meio a interesses dos mais distintos matizes, à sua complexidade impressionante. Assim emergiram inúmeras “escolas”: conservacionismo, preservacionismo, ecologismo social, ecologia profunda, etc. Todas parecem alinhadas, salvo incoerências de discurso e prática à parte, em seu objetivo maior: conservar os meios naturais que nos sustentam.
E quais são as ciências ambientais? A Ecologia, a Biologia, a Geografia, a Geologia, a Química, a Agronomia e seus respectivos desdobramentos e ainda algumas outras que se propuseram a estudar o meio ambiente como a Engenharia, a Pedagogia, a Antropologia e a Sociologia. Talvez haja outras ciências que agreguem cientistas preocupados com o meio ambiente, mas a grande maioria dos ditos profissionais ambientais encontra-se nas descritas acima.
Um dos poucos pontos pacíficos sobre as questões ambientais é sobre sua complexidade. Sim, são complexas. Sim, devemos mensurar o impacto para então tratá-lo e prevenir os futuros... Será? Mensurar o quê? Taxas de desflorestamento? Extinção de dispersores de semente? Porcentagem de animais silvestres na alimentação indígena? Manchas de óleo na área costeira? Poluição no aqüífero Guarani? Letalidade de inseticidas em polinizadores? Influência protestantista na escola preservacionista? Taxa de reprodução de minhocas numa horta? Quantidade anual de carbono queimada por um carro? ...
E assim, a ciência avança, com cada qual medindo suas variáveis, trabalhando com seus modelos matemáticos ou com teorias sociológicas para explicar o que se quer explicar. É óbvio que todas essas dimensões da complexidade ambiental devem ser estudadas, o que falta a elas é integração. Sim, as pesquisas deveriam ser integradas se o objetivo primeiro é realmente conservar a natureza.
O que essa esquizofrenia científica sobre as questões ambientais indica? Essa realidade nos diz que as discussões sobre o assunto dificilmente passam de um embate de egos inflamados. Os conflitos científicos ambientais deveriam servir de pontos para se partir a um entendimento transdisciplinar, à construção de conhecimentos que nos permitem realmente agir em prol de uma conservação dos meios naturais.
E isso é realmente um desafio a qualquer grupo humano: a comunicação. E, enquanto esta não se efetiva, alguns dizem que o que ameaça a biodiversidade são os índios por que o teste T-student assim indicou, enquanto outros que a conservação dos meios naturais depende do apoio de populações locais, outros dirão que precisamos de maior conexão espiritual com a natureza... E assim nossa sociedade civil-falante, industrializada, pós-moderna, tecnocrata, burocrata, preocupada, amante e defensora das coisas naturais continua a explorar minérios, queimar toneladas de petróleo e avançar com cana, gado, soja sobre nossas florestas.
Então que tipo de abordagem conservacionista é adequado para países “megabiodiversos”, como o Brasil? Talvez aquela que aposte na busca na integração de análises políticas, sociais e ecológicas das questões ambientais brasileiras. Assim se poderá mapear os fatores políticos estruturais que influenciam e, não raro, determinam tal crise.
Um primeiro passo seria romper com modelos estrangeiros, que possuem uma visão limitada e romântica da natureza, uma natureza sem o homem, seja ele índio, caiçara ou paulistano. Esse é o maior erro de metodologia nas ciências ambientais: idealizar um meio natural sem presença humana a ser conservado.
Devemos romper com a idéia de conservação atrás da cerca a qualquer custo, e de que qualquer sociedade humana é igualmente predadora e maligna à manutenção e evolução da vida. Devemos desacreditar de artigos pseudo-científicos sobre a “salvação das Matas Brasileiras” em periódicos estrangeiros, que provam com o teste Quiquadrado que onças vivem melhor longe de indígenas, e prometem salvar nossos biomas da destruição. Por quê? Essas posturas atravancam a comunicação entre as distintas dimensões de um conflito ambiental.
Enquanto não houver uma busca por construção de conhecimento e prática entre a ciência, a população e poder público, com o intuito de criar políticas ambientais elaboradas em conjunto, e não pensarmos e discutirmos quais são os riscos ambientais que atingem verdadeiramente nosso país, as ações conservacionistas talvez funcionem apenas como recursos midiáticos para conseguir um financiamento para um e outro projeto... E continuam a não construir nada que efetivamente faça nossa sociedade mais inteligente no tato e relação com o meio que a fez possível e que a sustenta.
Ainda que as estatísticas atuais sobre a rápida degradação ambiental possam ser questionadas, sabemos que as questões ambientais urgem de tratamento adequado. E nós, como profissionais e pessoas que se preocupam com o ambiente, convidamos a todos a discutirem essas idéias aqui.
Abandonemos nossos egos e tentemos construir outra prática de conversa científica. Enquanto não unirmos opiniões extremas e focarmos na melhora de nossas relações com o meio natural, levando-se em conta nossa peculiar realidade social, não teremos, ainda que com financiamento, testes estatísticos, cadernos à prova d’água e cercas, como reverter essa situação.
* E-mail do autor: felipeandueza@gmail.com
***

Representação da biodiversidade

Os pesquisadores de vários países criaram o International Mechanism of Scientific Expertise on Biodiversity (Imoseb), para o estabelecimento de um organismo internacional de especialistas em biodiversidade. Para os proponentes do novo organismo, a hora é de ação. Segundo eles, não se pode perder mais tempo, tendo em vista o cenário de “grande crise de biodiversidade” vivido pelo planeta. O momento também exige união entre especialistas na área em todo o mundo.
“Precisamos da diversidade de opiniões e de abordagens, mas também necessitamos de unidade por trás desse esforço coletivo, de modo a falar uma única voz globalmente ao reconhecer assuntos importantes e como eles podem ser mais bem direcionados”, disse um dos pesquisadores. “Conclamamos todos os cientistas interessados na ciência da biodiversidade para que se envolvam e busquem a participação de seus governos nesse processo de consulta”, escreveram os proponentes (fonte: agência FAPESP).
***
Espero que este tipo de proposta seja a chance de países megadiversos como Brasil, também conhecido como "neotropicais", levante os verdadeiros problemas e busque as reais soluções desta crise ambiental. Uma pergunta interessante seria: que tipo de projeto conservação que o Brasil necessita? Aquele que culpa os grupos humanos pela catástrofe ambiental? Um projeto inovador cujo resultado é publicado somente em periódicos estrangeiros? Ou um projeto que se adeque a verdadeira realidade sócio-ambiental do país, com medidas que mudem de forma estrutural problemas como: falta de planejamento urbano, políticas ineficazes, conclaves corruptos, analfabetismo, desconhecimento de legislação ambiental, sub-emprego, projetos conservacionistas com o foco somente na mídia.
São muitos os problemas estruturais que os países do "neotrópico" detém juntamente com sua biodiversidade. Talvez somente com união de opiniões extremas e com um foco na realidade social do país poderemos começar a reverter a situação.

16.7.06

Guias Sonoros de Anuros

Várias pessoas me perguntam se existem muitos Guias Sonoros de Anuros publicados, estou fazendo uma busca por várias fonotecas e já encontrei muita coisa. Nos Estados Unidos tem guia sonoro de sapo da década de 70, e nossos hermanos argentinos já possuem este tipo de publicação desde a década de 80. Mostro abaixo a capa de alguns guias já publicados, quem tiver interesse no assunto visite a Fonoteca de Londres e de Madri.
Logo publicarei aqui uma lista de guia sonoros publicados no Brasil e no exterior.

13.7.06

Fogo na UNESP - Rio Claro


Como quase todo ano, novamente a parte dos fundos da UNESP - Rio Claro pegou fogo. Não há evidências do que tenha o provocado, mas como o mato estava muito seco facilitou a queimada quase que total do terreno. Boatos evidenciam que a causa do fogo por ter sido a queima de um amontoado de lixo que estava jogado neste terreno. Projetos de vários alunos, como uma agrofloresta, podem ter sido prejudicados.
Logo abaixo fotos do local:



Fractais

Conjunto de Mandelbrot


"Esta figura estranha é o objeto matemático mais complexo já inventado. Embora as regras para sua construção sejam muito simples, a variedade e a complexidade que ela revela sob estreitas inspeção são inacreditáveis" (Fritjof Capra - Teia da Vida).
Este fractal bem complexo é gerado a partir do caos, é impressionante como os padrões se conservam até mínima escalas. Muitos padrões ecológicos e socias podem também funcionar assim, caóticos mas com uma autorganização impressionante.

11.7.06

Sons de animais em podcasts

Estou fazendo alguns experimentos de divulgação de amostras de sons de animais em podcasts.
Criei um no site ODEO para divulgar o "Guia sonoro dos anfíbios anuros da Mata Atlântica". Acho que é uma forma fácil e livre de divulgar sons da natureza.


powered by ODEO

10.7.06

Conservação da natureza através das RPPNS

Já saiu na Revista Logos da Faculdade Euclides da Cunha de São José do Rio Pardo - SP, um artigo de minha autoria sobre as Reservas Particulares do Patrimônio Natural. Este trabalho é uma contribuição a seção geociências e meio ambiente desta revista. Este também possui co-autoria de Camila Cantagallo.

8.7.06

Mapas on-line - um Sistema de Informação Geográfica rápido e fácil.

No http://quikmaps.com você pode criar mapas de qualquer localidade, e ainda inserir localizações, informações sobre uma determinada área. Acho que este tipo de tecnologia pode ser muito útil na implementação de informações sobre Unidades de Conservação, por exemplo informação sobre o potencial turístico da área, sobre o zoneamento ecológico e também pontos de observações de fauna, além de muitas outras funções. Além disso, é uma forma rápida e livre de divulgar informações de uma determinda região.
O mapa abaixo é um exemplo desta abordagem na Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade (FEENA), Rio Claro - SP.


GeoBirds - Site que cria mapas de distribuição geográfica de aves


O site http://geobirds.com permiti a criação on-line de mapas de distribuição geográficas de aves, além de contar com identificador de espécies interativo. Uma forma muito legal e facilitada de divulgar estudos sobre biodiversidade. Visite e confira.

7.7.06

Resgate dos anfíbios.....

Só para lembrar, os mesmos pesquisadores que que formaram esta aliança salvadora dos anfíbios, são aqueles que pilharam estes animais no Panamá e levaram para os EUA sobre alegação de uma ação de resgate, pois os sapos do Panamá estavam infectados por fungos misteriosos e assassinos. Lógico a única alternativa...levar para terra do Tio Sam.
Retirei do Blog http://cienciaeideias.blogspot.com a opinião louvável do pesquisador Bruno Pimenta do Rio de Janeiro. Vale a pena ler e refletir:
Bruno Pimenta (Museu Nacional, UFRJ)
Infelizmente há sim um grande lobby em relação à conservação ex-situ, capitaneado por americanos. Mas isso não se deve a motivos ambientalistas. O fato é que projetos desse tipo chamam muito a atenção da mídia, sendo altamente atrativos para doadores (empresas, fundações, etc.). É muito bonita uma propaganda mostrando biólogos e veterinários em seus aventais brancos criando sapinhos coloridos e libertando-os na natureza, traz um retorno de marketing espantoso a qualquer marca que se associe a isso. Mas ninguém quer investir em estudos de viabilidade, ou seja, aqueles em que especialistas devem avaliar a capacidade do ambiente de receber novos indivíduos, a capacidade de sobrevivência desses mesmos indivíduos e os efeitos da reintrodução para os animais que já residiam nesse espaço. Isso não dá retorno. A função "marketeira" desses projetos é tamanha que ele foi colocado como a grande estrela do Amphibian Conservation Action Plan, um workshop com 60 cientistas de todo o mundo ocorrido em setembro do ano passado em Washington, do qual participei. Antes das discussões científicas, os organizadores já haviam soltado press-releases dizendo que a conservação ex-situ era a ÚNICA chance de sobrevivência para CENTENAS de espécies. Isso atraiu a BBC e outras grandes agências de notícias, que mandaram repórteres para cobrir o evento. Durante o evento, porém, as divergências foram várias e a maioria dos pesquisadores foi contra a adoção dessa estratégia, notadamente os sul-americanos. Mas os organizadores não retiraram a proposta da criação ex-situ do documento final, mesmo após tantos protestos. Esses grandes planos de conservação costumam usar uma estratégia principal, mais cara, altamente capaz de atrair investimentos, para conseguir financiamento também para projetos mais baratos. A conservação ex-situ cumpre bem esse papel. O problema é que projetos desse tipo são tão caros que o dinheiro empregado neles poderia ser usado na conservação do próprio ambiente, financiando vários outros estudos. Além disso, esbarra em sérios problemas legais, pois a idéia seria levar indivíduos para os Estados Unidos quando as tentativas de criação em cativeiro fossem infrutíferas em nível local. Umaporta escancarada para a biopirataria (aquela de verdade, não essa coisa que o IBAMA tem acusado pesquisadores sérios de fazer).

Aliança pela sobrevivência dos anfíbios


Agência FAPESP - O conjunto de informações reunido nos últimos anos é extenso e preocupante. Para piorar, em qualquer que seja o continente enfocado, sempre existe um exemplo que aumenta a dramaticidade do cenário. O resultado é que a maioria dos pesquisadores da área não tem dúvida em afirmar: os anfíbios estão desaparecendo.
De todas as 5.743 espécies de anfíbios conhecidas, 32,5% estão sob ameaça. E quase uma centena teria desaparecido desde 1980. Como os focos dos problemas são muitos – e as causas também, como aquecimento global, desmatamento, epidemias de fungos –, desde o ano passado está sendo traçado um plano mundial de ação para salvar os anfíbios. Com um artigo publicado nesta sexta-feira (7/7), na revista Science, a iniciativa ganha maior visibilidade.
No texto, 48 pesquisadores assinam a idéia para criação da Aliança pela Sobrevivência dos Anfíbios (ASA), entre os quais Hélio Ribeiro da Silva, do Departamento de Biologia Animal da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. O principal autor da iniciativa é Joseph Mandelson, do Zoológico de Atlanta, nos Estados Unidos.
“A intenção do programa é assegurar que todas as nações afetadas por esse terrível problema tenham os meios necessários para o desenvolvimento de tecnologia e recursos humanos, além de suporte financeiro para a implantação das ações de conservação dos anfíbios em suas próprias regiões”, disse Mandelson à Agência FAPESP.
Segundo o pesquisador, a rede global será coordenada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), uma das principais instituições voltadas para o meio ambiente no mundo. “Nossa estimativa é que o projeto exigirá um orçamento de US$ 400 milhões para os próximos cinco anos”, disse.
Quando a ASA estiver totalmente implementada, terá ações em várias áreas. A principal será de cunho científico. Com a ligação de vários bancos de dados sobre a situação dos anfíbios no mundo, os organizadores da aliança esperam ter um quadro abrangente da situação de todos os grupos, sejam rãs, sapos, pererecas, salamandras e assim por diante. “Mas vamos também trabalhar para que, quando necessário, políticas públicas sejam alteradas”, disse Mandelson.
Segundo o pesquisador, uma das redes que servirão de modelo para a ASA é a Aliança pela Sobrevivência das Tartarugas, também administrada pela IUCN. Nesse exemplo, os recursos financeiros para pesquisa e proteção em geral do grupo de répteis são obtidos com a capacitação entre indivíduos, empresas privadas e governos interessados em apoiar a iniciativa. “Precisamos do apoio de todos os grupos da sociedade”, afirma Mandelson.
Mais informações: http://www.sciencemag.org=/
*Obs: Este tema é extremamente controverso por isso é necessário um maior aprofundamento, o blog http://cienciaeideias.blogspot.com publicou muita coisa interessante com diversos pontos de vista. Logo publicarei um texto sobre o impacto destes "programas de conservação" em países como o Brasil.

Blogosfera científica



Por Agência FAPESP - A pedido da revista Nature, a empresa Technorati, que desenvolveu um mecanismo de busca voltado para a caça de blogs na internet, vasculhou quase 50 milhões de sites do gênero para descobrir quais tinham maior tráfego entre aqueles cujo assunto é ciência.
Com a lista (abaixo) em mãos, a revista foi atrás dos autores dos blogs, para saber o que eles achavam desse sucesso. Apesar de os blogs científicos ainda serem pouco comuns, pelos menos cinco casos podem receber o rótulo de populares.
“Na maioria das vezes, faço apenas um texto sumarizado dos conceitos apresentados em sala de aula. Claro que se escrevesse como se fosse para um periódico científico não teria o mesmo sucesso”, disse Phil Myers, professor da Universidade de Minnesota, criador do Pharyngula, de biologia evolutiva.
O blog escrito pelo biólogo, que acredita ser essa ferramenta uma espécie de conversa de bar, como as que ocorrem no intervalo dos eventos científicos, é o de número 179 entre os quase 50 milhões listados pela Technorati.
Para Gavin Schmidt, pesquisador de um dos centros de pesquisa da Nasa, a agência espacial norte-americana, a chave para o sucesso está em entender o espírito de um blog. Para ele, é possível oferecer, nesse meio, textos com conteúdos mais profundos que os dos jornais “e mais fáceis de entender do que os publicados pelas revistas científicas”, disse.
Segundo os autores, a produção editorial está mais próxima das feitas pelas revistas, mas com uma diferença básica. “No blog, a reação do leitor pode ser imediata, por causa da possibilidade da interação”, disse Schmidt. O pesquisador é um dos colaboradores do blog RealClimate, sobre clima, criado pelo colega Stefan Rahstorf, que ocupa o 1884º lugar do ranking.
Todos os cinco blogs científicos selecionados estão entre os 3,5 mil mais visitados da lista geral.

Os cinco mais:
Pharyngula (179º): http://scienceblogs.com/pharyngula
Panda´s Thumb (1.647º): http://www.pandasthumb.org/
Realclimate (1.884º): http://www.realclimate.org/
Cosmic Variance (2.174º): http://www.cosmicvariance.com/
Scientific Activist (3.429º): www.scienceblogs.com/scientificactivist

3.7.06

Agronegócio da soja deve se expandir ainda mais

Agência de Informação Frei Tito para a América Latina: O plantio da soja deve aumentar mais 27% até 2010, liderando o avanço do agronegócio em todo o mundo. A estimativa foi divulgada durante o Fórum Social de Resistência ao Agronegócio, realizado no último final de semana, em Buenos Aires, Argentina. Segundo a Minga Informativa dos Movimentos Sociais, pesquisadores ligados a organizações camponesas e ambientalistas discutiram o modelo do agronegócio. Este, dominado por multinacionais do setor agrícola e de alimentos, agride cada vez mais o meio ambiente e empobrece as populações da América Latina a favor do lucro das empresas.

Os pesquisadores apontaram que o agronegócio tem um perfil próprio. Baseado em monoculturas para exportação, o sistema ocupa grandes áreas de terras, utilizando tecnologias avançadas de máquinas, adubos químicos, agrotóxicos e sementes transgênicas - mecanismos que ficam sob o controle de poucas empresas multinacionais.
A soja desponta como a principal cadeia produtiva do modelo. Dos 27% de crescimento que a soja terá até 2010, 14% será utilizada na alimentação de animais, principalmente de frangos, e 13% na geração de bionergia, as duas principais demandas dos países no futuro. Estimativas apontam que, nos próximos anos, a demanda por alimentos será 140% maior, o que justificará, para as empresas do agronegócio, a ocupação de mais terras e o aumento no rendimento dos cultivos através da genética.

Especialistas afirmaram que regiões como o Cerrado e a Floresta Amazônica, no Brasil, e a áreas úmidas, na Argentina, devem ser os alvos para a expansão da monocultura da soja no Continente. A projeção é de que, no Brasil, o cultivo chegue a ocupar de 70 a 100 milhões de hectares de terras. Destes, 30 a 40 milhões serão no Cerrado e 7 milhões na Floresta Amazônica.
Junto com o desmatamento, vem o alto emprego de agrotóxicos. No Brasil, maior consumidor de venenos entre os países latino-americanos e terceiro maior no mundo, metade do faturamento líquido de vendas de agrotóxicos (o que gira em torno de 4,5 bilhões de dólares) é voltado para a produto de soja. A maior parte do ganho fica nas mãos da Bayer, Syngenta e Basf, as empresas que mais lucram no setor de venenos. Concentração que se repete no licenciamento das sementes - 91% das sementes de soja plantadas no mundo são de propriedade da Monsanto - e na comercialização e processamento da cadeia produtiva, que é controlada pela Cargill.
As conseqüências do agronegócio acabam sendo as mesmas em diferentes países: concentração de terra e de riquezas, dependência econômica e violação dos direitos humanos.